Como mulher negra, atuante no campo das políticas públicas, compartilho a minha enorme preocupação. Não ouço ecoar a voz dos nossos na construção das bases democráticas dentro do município. Com certeza, tal silêncio é resultado de décadas de cerceamento e apagamento histórico das nossas contribuições, que sustentam os pilares da querida Jundiaí. O racismo estrutural nos cala e naturaliza o fato de a população negra não ter representatividade plena e efetiva nos espaços de poder, impedindo o exercício da democracia plural e participativa.
Quando abordo a participação ativa, refiro-me à importância de pessoas negras atuarem em todas as esferas, embasando decisões que impactam as nossas vidas enquanto contribuintes. Entretanto, não trago apenas reflexões sobre o direito ao voto no período das eleições, mas questiono o nosso direito de influenciar ações focadas em nossas especificidades.
A reflexão invoca a liberdade de opinar e propor ações que derrubem as barreiras da exclusão institucional e que restabeleçam e fortaleçam a luta no combate ao racismo. Por isso, é imprescindível restaurar a potência da nossa história no município, que foi intencionalmente apagada.
Ao iniciar a problemática com o ditado popular “cala boca já morreu”, somos levados a refletir que ninguém pode nos calar. A nossa voz tem um grande peso, assim como o nosso voto. Sejamos mais unidos, atuantes e participativos. Ações isoladas retardam o processo. Vamos cobrar do poder público a execução do que a legislação determina no que se refere ao combate às desigualdades.
Conclamo a sociedade civil e os movimentos sociais que atuam ou representam os diversos eixos da vida social — como educação, cultura, religião, saúde, assistência social, sindicatos e direitos humanos — a ocuparem os conselhos municipais e as audiências públicas, exercendo o direito de opinar, fiscalizar e incidir diretamente nas decisões do poder
A nossa voz tem peso, assim como o nosso voto. Apoiar e incentivar candidaturas negras comprometidas com a luta do movimento, garante a nossa representação nos espaços de decisão.
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Recentemente, estive em Brasília, na 5ª Conferência Nacional da Igualdade Racial. A minha satisfação é imensurável ao pensar na importância do legado que deixarei para as gerações futuras. Ter a oportunidade de contribuir para o estabelecimento de propostas que irão corroborar na construção de políticas públicas, capazes de atender às nossas reais necessidades, impactando e favorecendo a justiça social, que traz reparação histórica no presente e também alça a vida dos nossos descendentes.
Encerro agradecendo a luta dos nossos mais velhos e reafirmando o compromisso de honrar o legado por eles deixado. Compreender o nível dessa responsabilidade reforçou minha consciência ativista e a certeza de que minha voz importa. Uma voz que não se cala e que assume o compromisso de sustentar, no presente, a luta permanente contra o racismo.(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

ROSEMARY DA SILVA
Conferencista Nacional na Promoção de Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.
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