Toda vez que vejo novas notícias sobre “Formação de Professores” me sinto impelido a comentar, embora isto pareça absolutamente recorrente. Já escrevi tanto sobre o tema que qualquer manifestação fica tão repetitiva que só se justifica pela intenção de preservar o assunto, chamando a atenção, de quem se dispõem a esta leitura, da sempre necessária discussão sobre isso.
Manifestações do MEC e do Conselho Nacional de Educação propõem alteração das cargas horárias entre presenciais, a distância e, uma novidade: “semipresenciais”. Esta proposta, ricamente detalhada na reportagem que li e me traz aqui, faz parecer que a regulação do número de horas ofertadas por quaisquer instituições faz toda a diferença para uma boa formação docente. Entretanto é a proposta pedagógica de cada um destes cursos e a forma como elas são executadas que garante qualidade e adequação à realidade das atividades escolares das quais os egressos destes cursos irão participar.
Embora em escala muito pequena para inferências ou conclusões, os contatos que ainda mantenho com alunos e ex-alunos recentes destes cursos me informam que nem a modalidade (presencial ou a distância) nem a carga horária são muito relevantes. O que muda é o preparo dos docentes destes cursos e os métodos e metodologias utilizadas. Um professor que fala o tempo todo sem nenhuma didática é um contra exemplo, diz uma destas alunas, referindo-se a uma forma de ensinar o que não deve fazer um professor em sala de aula. Este relato é comum em alunos tanto de presencial quanto do a distância. Nenhuma preocupação didática, despejando conteúdo sem interatividade. O estudante se limita a ouvir, eventualmente o que poderia ler, sem participar. Se esta é a proposta do curso, como esperar formar docentes que não copiem este modelo, infelizmente praticado em larga escala e com a complacência e aceitação de todos?
CLIQUE AQUI PARA LER OUTROS ARTIGOS DE FERNANDO LEME DO PRADO
Observe-se que a modalidade e as cargas horárias não são considerados fatores determinantes para o sucesso do processo. De todo modo não podem ser cursos reduzidos ou com presencialidades que não se justificam, pois o aluno só assiste o docente declamar. Estar ou não em um mesmo ambiente só vale se o estudante estiver participando, ouvindo e falando, compartilhando uma construção coletiva do conhecimento. Sem isto se aprende muito mais apenas lendo e escrevendo sob uma boa orientação. A interatividade é a melhor forma de priorizar o processo de aprendizagem significativa. A formação docente não termina com o fim do curso superior. Ela deve ser continuada, preferencialmente no ambiente de trabalho, pois ensinar é uma arte prática. Isto, inclusive, pode ser feito com uma formação em processo no local de atividade do professor com programas de aperfeiçoamento bem acompanhados.
Mais ou menos cargas horárias; mais ou menos presencialidades, não mudam nada se os métodos seguirem arcaicos e carentes da necessária atualização e espaço para as inovações que as tecnologias continuarão a produzir e as mudanças comportamentais, delas decorrentes, que o professor terá que conviver.(Foto: Agência Brasil)

FERNANDO LEME DO PRADO
É educador
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÃO










