A oposição quer conduzir o presidente para a comissão de investigação. Seria um caso inédito na história brasileira de um presidente da República ser investigado suspeito de corrupção. Os mais ferozes jornalistas dizem que por baixo do palácio do governo passa um verdadeiro mar de lama. Acusam, simultaneamente, o filho do presidente e seus assessores. Um deles tem acesso aos empréstimos do banco oficial, que é transformado em um verdadeiro balcão de negócios. Os prejuízos não são divulgados e acabam estourando no bolso dos pagadores de impostos. Os escândalos se sucedem e a imagem do presidente, um líder – especialmente entre os trabalhadores – com apoio dos sindicatos domesticados e partidos de esquerda. É rotulado como um nacionalista convicto e antiamericanista.
O presidente é considerado uma ameaça à democracia que ele jura defender. Como a história não se apaga, a elite não esquece que ele já governou o Brasil por vários anos e foi responsável por mudanças consideradas, pelo menos, contraditórias. Há quem acalente o desejo que ele deixe a presidência da República. Isso não está nos planos do chefe do governo. O país é uma República presidencialista, um plágio do governo norte-americano, e o presidente é considerado inatingível. O palácio do governo reage por meio da mídia e acusa parte dos jornalistas de se venderem aos interesses do capital estrangeiro, ávido pelos produtos considerados estratégicos, como o petróleo e o minério de ferro. Na prática, está cercado no palácio presidencial e não pode mais aparecer em eventos abertos na capital da República.
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A economia está desmoronando. Inflação, desemprego e denúncias de corrupção se sucedem. O quarto filho do presidente é suspeito de se aproveitar das benesses do governo em viagens e aumento de seu patrimônio. A crise política não tem fim. Esta se agrava com a morte de um oficial da FAB que fazia a segurança de Carlos Lacerda, o jornalista mais contundente, crítico do governo de Getúlio Vargas. O principal suspeito de armar o atentado é Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente e íntimo da família. A mídia acusa Maneco Vargas, o filho do presidente, de ter sido favorecido com um empréstimo fraudulento do Banco do Brasil, articulado por Gregório. Graças a isso, compra uma fazenda no Rio Grande do Sul, seu estado de origem. O auge acontece em agosto de 1954. Vargas nega deixar o governo e Maneco confessa ao pai que adquiriu a fazenda. Vargas se isola no quarto do Palácio do Catete e se mata. Qual foi o peso do envolvimento de Maneco e Gregório na motivação da morte do velho líder???(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

HERÓDOTO BARBEIRO
Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”
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