A violência de gênero tem como principais vítimas as mulheres negras. O peso da cor evidencia os dados da letalidade do feminicídio no Brasil. Contemplamos um assustador escalonamento nos índices de casos de violência contra mulheres. Podemos considerar esse fenômeno como uma verdadeira pandemia social, que abala as estruturas da sociedade e demonstra a fragilidade das ações governamentais no enfrentamento à violência. Diante desse cenário, somos levadas a sentir na pele a ausência de políticas públicas interseccionais.
Analisando os dados do ano de 2025, coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, percebemos números alarmantes que colocam o Brasil em posições preocupantes nos rankings de violência contra a mulher. Diante desses dados, devemos repensar o significado do 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Na realidade, ainda não temos mudanças efetivas que possam ser comemoradas. Trata-se de um dia que intensifica inúmeras reflexões e gera protestos por todo o país.
Por isso, estamos gritando por socorro urgente. Abomino toda e qualquer forma de violência contra a mulher, pois todas nós temos o direito à vida como garantia fundamental, independentemente de raça, religião, orientação sexual ou classe social.
Entretanto, diante das estatísticas, faço uma pausa para olhar com mais atenção o cenário brasileiro, realizando um recorte pelo viés de raça e cor. As mulheres negras são as maiores vítimas de agressões físicas e feminicídio, representando 66,4% dos casos — o dobro em comparação aos dados referentes às mulheres brancas.
Nesse contexto, estamos diante da face de resquícios históricos da escravidão. O período colonial legalizou e perpetuou a violação dos corpos negros. É importante ressaltar que o sexismo também era base das relações sociais naquela época, com a supremacia masculina restringindo a liberdade feminina. Mesmo após décadas, esse consentimento social ainda se mantém por meio da naturalização da violência sofrida pelas mulheres negras, o que contribui para o aumento da impunidade.
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Ao ressaltar a cor e a raça na abordagem da violência de gênero, compreendemos a força do preconceito ceifando vidas. Estamos falando de mulheres cuja caminhada tem sido construída em espaços onde a invisibilidade impera. São vítimas constantes dos efeitos do racismo estrutural, social, político e institucional, estando sempre às margens da vulnerabilidade.
Trata-se de uma herança da escravidão que ainda recai sobre os nossos ombros, como um jugo de servidão que tenta nos forçar a viver em submissão, negando a nossa identidade. Assim, o feminicídio representa o estágio final de todas as violências às quais temos sido expostas por décadas. Portanto, mulheres negras: sejamos resistência.
“Quando a mulher preta se movimenta, toda a estrutura da sociedade se altera”(Angela Davis). Foto: Kungsley Osei-Abrah/Unplash

ROSEMARY DA SILVA
Conferencista Nacional na Promoção de Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.
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