PRAÇA RUI BARBOSA em sete fotos

praça rui

No coração do Centro Histórico de Jundiaí, a Praça Rui Barbosa guarda camadas invisíveis de uma trajetória que remonta à fundação da Vila de Jundiahy. Antes de ser o reduto comercial que conhecemos, o espaço pulsou sob diferentes nomes e funções, servindo como o antigo Largo do Pelourinho no século XVII. Naquela época, a área estava ligada à antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito — a “igreja dos pretos” —, uma estrutura de fé e resistência construída em taipa de pilão(veja texto abaixo).

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A sacralidade do local estendia-se para além das paredes da igreja. No período colonial, a região ao redor do templo funcionava como cemitério, onde eram realizados os sepultamentos da comunidade. Essa configuração original, entretanto, sofreu profunda mudança de paisagem na década de 1920. Com o avanço da urbanização, a igreja foi demolida e toda a área remodelada. Foi nesse contexto que a Praça Rui Barbosa começou a tomar forma, nascendo em frente ao Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, instituição cuja pedra fundamental foi lançada em 1922.

O Gabinete de Leitura tornou-se a sentinela intelectual da praça. Mais do que uma biblioteca, a instituição nasceu como um farol de erudição em uma cidade que se industrializava rapidamente. O edifício, com sua fachada imponente, consolidou o nome do jurista baiano no logradouro, simbolizando o apreço jundiaiense pelas letras e pelo debate democrático. Durante décadas, o Gabinete foi o ponto de encontro de professores e estudantes, transformando a praça em um território de saber.

GABINETE DE LEITURA FECHOU AS PORTAS EM DEZEMBRO DE 2023

Em contraste com a efervescência cultural do Gabinete, o flanco oposto foi marcado pela disciplina militar do antigo quartel do Exército. Ali funcionou a 2ª Companhia de Comunicações (CiaCom), presença que fez com que o local fosse popularmente apelidado por gerações como “Largo do Quartel”. O vaivém de fardas e as cerimônias militares conferiam à Praça Rui Barbosa um ar de sobriedade e segurança, tornando-a o centro geográfico e estratégico do município.

Hoje, embora as marchas militares tenham dado lugar ao intenso fluxo de pedestres, a praça permanece como um testemunho vivo. Entre o silêncio das estantes do Gabinete e a memória do antigo cemitério colonial, o local segue como o marco da vida pública de Jundiaí, servindo principalmente de ponto de ônibus para quem vai à Várzea ou Campo Limpo Paulista.

Na página Jundiaí Antiga em Fatos, Fotos e Versões, do professor Maurício Ferreira, o historiador Wilson Ricardo Mingorance escreveu:

Poucos sabem da história desse patrimônio e não há certeza sobre a data de fundação, porém em uma das pesquisas feitas por João Borin no interior das “Cartas de Datas de Chãos e Quintais” (Documento de 1657), há a citação sobre um eventual “lote reservado para a casa de Misericórdia”, ou seja, uma Capela que cuidava dos pobres e doentes. A Capela situava-se no antigo Largo do Pelourinho e Largo do Rosário, atual Praça Rui Barbosa e se torna a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (ou dos Pretos).

A Igreja compreendia o espaço do atual Gabinete de Leitura e a Rua do Rosário, conforme a foto acima. A construção do templo era de taipa de pilão, coberta com telhas de barro e os pisos de madeira. Na época em que não havia cemitérios em Jundiaí, os sepultamentos eram feitos no interior da Igreja e essa ação perdurou até o período oitocentista, a partir dessa data implantou-se um cemitério, localizado ao lado da Igreja do Rosário. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito teve sua preponderância para a cidade, sendo ela, possivelmente a Capela mais antiga da cidade e, também, por ter se tornado Matriz sempre que a Matriz Nossa Senhora do Desterro passava por reformas.

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Porém, na década de 1920 através da gestão do prefeito Dr. Olavo de Queiroz Guimarães, Jundiaí enfrenta significativas reformas no centro urbano e uma das obras seria o prolongamento da Rua do Rosário, mas a Igreja de Nossa Senhora do Rosário estava no meio, então a solução foi demolir a Igreja e dar continuidade a Rua do Rosário, criando a Rua Major Sucupira. No dia 15 de junho de 1922 foi expedido um aviso para o translado dos corpos enterrados no interior da Igreja para o cemitério local e no dia 22 de agosto de 1922 é demolida a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A Rua do Rosário foi prolongada, hoje pedestres e carros que passam por aquele trecho mal sabem que um dia ali ente o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa e o atual Estacionamento havia uma Igreja.

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