A Justiça Federal de São Paulo e Supremo Tribunal Federal suspenderam multas e autuações relacionadas aos riscos psicossociais da NR-, o que traz alívio para milhares de empresas. A justificativa é compreensível, muitas organizações ainda enfrentam dúvidas sobre critérios, metodologias e formas de avaliação exigidas pela norma. A discussão jurídica é legítima e faz parte da construção de qualquer mudança regulatória relevante, mas, para além da esfera jurídica, existe uma reflexão que não pode ser adiada.
A suspensão das multas não elimina os riscos. Em outras palavras: a liminar pode suspender a penalidade, mas não suspende a realidade. Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser uma pauta exclusivamente pessoal para se tornar uma pauta estratégica. Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam compreender que o desempenho organizacional está diretamente conectado à qualidade do ambiente de trabalho que constroem.
Quando falamos sobre riscos psicossociais, não estamos tratando apenas de conformidade legal. Estamos falando sobre fatores que influenciam produtividade, inovação, engajamento, clima organizacional, reputação e resultados. O que está em jogo não é apenas o atendimento a uma norma, é a capacidade da organização de criar condições para que as pessoas entreguem seu melhor sem comprometer sua saúde.
Observo que as organizações mais preparadas para o futuro não são aquelas que perguntam apenas “o que a lei exige? Qual o valor da multa?”. São aquelas que perguntam “o que precisamos transformar para sermos uma empresa mais saudável, sustentável e competitiva?”. Essa mudança de mentalidade faz toda a diferença, porque empresas movidas apenas pelo medo da multa tendem a agir de forma reativa, fazem o mínimo necessário para atender uma exigência.
Já as organizações que compreendem o valor estratégico da saúde mental atuam de forma preventiva. Investem em lideranças mais conscientes, fortalecem a comunicação, promovem segurança psicológica, desenvolvem ambientes de confiança e monitoram continuamente fatores que podem gerar adoecimento.
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E é justamente esse o espírito da gestão moderna: olhar para os riscos antes que eles se transformem em problemas maiores. Independentemente do desfecho da ação movida pela Fiesp a respeito da NR-1, uma verdade permanece, a discussão sobre saúde mental no trabalho não vai retroceder.
O mercado mudou, as relações de trabalho mudaram, as expectativas das pessoas mudaram, e as empresas que compreenderem essa transformação sairão na frente. Afinal, nenhuma organização quebra por causa de uma multa isolada, mas muitas comprometem seus resultados, sua capacidade de inovação e sua sustentabilidade quando ignoram os sinais de uma cultura adoecida.
A decisão da Justiça pode trazer tempo para adaptação, que esse tempo seja utilizado não apenas para entender a norma, mas para fortalecer aquilo que nenhuma decisão judicial é capaz de garantir: uma cultura organizacional saudável, consciente e preparada para o futuro.(Foto: Shvets Production/Pexels)

DANY MORAES
Consultora de Projetos de Recursos Humanos e Educação Corporativa. Atua na área de Gente & Gestão há 20 anos, com especializações em Felicidade e Qualidade de Vida no Trabalho, Inteligência Emocional e Líder Coach. Contatos: E-mail: [email protected]. Instagram: @soudanymoraes. LinkedIn: daniela-moraes-marques.WhatsApp: 11 982659384. Acesse também: @sejaexpandente(Foto ao lado: Tris Nogueira – Foto principal: AI25.Studio/Pexels)
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Gente e Gestão é uma expressão que se refere ao conjunto de práticas, políticas e processos relacionados à gestão de pessoas dentro de uma organização, engloba todas as atividades e estratégias voltadas para o desenvolvimento, motivação, engajamento e bem-estar dos colaboradores de uma empresa.
Isso inclui recrutamento, seleção, treinamento, desenvolvimento de carreira, avaliação de desempenho, remuneração, benefícios, comunicação interna, cultura organizacional, entre outros aspectos que impactam diretamente o capital humano e o ambiente de trabalho.
A expressão Gente e Gestão enfatiza a importância das pessoas como um dos principais ativos de uma organização e reconhece que uma gestão eficaz dos recursos humanos é fundamental para o sucesso e sustentabilidade do negócio.
E também ressalta a necessidade de uma abordagem humanizada e centrada nas pessoas na condução das atividades relacionadas à gestão de talentos dentro da empresa e a produtividade sustentável.
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