Durante uma Copa do Mundo, acompanhamos os melhores jogadores do planeta. Atletas admirados por milhões de pessoas, símbolos de talento, disciplina e superação. Mas existe uma pergunta que volta a surgir a cada edição do torneio: onde estão os jogadores LGBT+?
Estatisticamente, é impossível que não existam atletas LGBT+ entre os milhares de jogadores profissionais espalhados pelos grandes clubes e seleções do mundo. Ainda assim, o número de homens assumidamente gays no futebol de elite é praticamente inexistente. Não porque eles não existam, mas porque o ambiente esportivo ainda transmite uma mensagem silenciosa: ser quem você é pode custar sua carreira.
O futebol é um dos maiores fenômenos culturais do planeta. Ele emociona, une povos, atravessa fronteiras e gera identificação. No entanto, também carrega uma herança histórica ligada a modelos rígidos de masculinidade. Durante décadas, homens foram ensinados que deveriam ser fortes, competitivos, invulneráveis e heterossexuais. Qualquer comportamento fora desse padrão frequentemente era alvo de ridicularização.
Isso ajuda a explicar por que tantos atletas falam sobre medo. Medo da reação da torcida. Medo da rejeição de patrocinadores. Medo de perder espaço dentro do próprio grupo. Medo de que sua identidade passe a ser mais comentada do que seu desempenho em campo.
O mais curioso é que o futebol celebra diariamente valores como coragem, autenticidade e superação. Mas, para muitos atletas, assumir quem são continua sendo um desafio maior do que enfrentar um estádio lotado.
Quando não vemos jogadores assumidamente LGBT+ em grandes competições como a Copa do Mundo, não estamos diante de uma ausência de pessoas. Estamos diante da presença do medo.
A questão não é obrigar ninguém a revelar aspectos da própria vida. Toda pessoa tem direito à privacidade. O ponto é refletir sobre por que tantos sentem que revelar quem são ainda pode representar um risco.
LEIA OUTROS ARTIGOS DE LUCAS ANZOLIN CLICANDO AQUI
Talvez o verdadeiro avanço aconteça quando a orientação sexual de um atleta deixar de ser notícia. Quando um jogador puder falar sobre seu companheiro da mesma forma que tantos outros falam sobre suas esposas e famílias. Quando o talento for a única medida de valor dentro de campo.
A Copa do Mundo nos mostra a diversidade de culturas, idiomas e nacionalidades. Quem sabe um dia também nos mostre um esporte onde ninguém precise esconder parte de sua identidade para realizar seus sonhos.

LUCAS ANZOLIN
Formado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Saúde Mental, Psicoterapia, Gênero e Sexualidade. Atua há 10 anos como terapeuta, palestrante e instrutor de cursos voltados à saúde mental, práticas integrativas e complementares (PICS), autoconhecimento e bem-estar. Também é Assessor de políticas para LGBT em Jundiaí dentro do núcleo de Articulação de Direitos Humanos(Instagram: lucas_anzolin)
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES











