O ESCREVER e a Inteligência Artificial

escrever

Escrever nunca foi tarefa fácil, sobretudo quando as propostas se referem a atividades acadêmica, literárias ou para publicação. Entretanto, em tempos de expansão acelerada das inteligências artificiais, alguns fenômenos podem ser observados quando quaisquer pessoas, especificamente estudantes, têm que apresentar seus “escritos” e abrem mão da autoria utilizando algum programa que crie textos. É o escrever com a mão do gato”.

Recentemente um professor americano reprovou 90% de sua turma ao constatar que a atividade proposta havia sido executada não pelo aluno, mas por alguma inteligência artificial. Os estudantes não haviam escrito o que apresentaram, mas utilizaram programas de IA para cumprir a tarefa proposta. Essa informação deve ser analisada com cuidado, pois se foi possível responder usando uma IA se tratava de atividade essencialmente conteudista. As IAs, diferente dos seres humanos não inventam nem criam textos totalmente inéditos, mas compilam em altíssima velocidade tudo aquilo que está na base de dados às quais têm acesso. Entretanto esse resultado não passa por nenhuma curadoria, ou seja, sem que se verifique se o que a IA produziu é verdadeiro ou confiável.

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Se a resposta à pergunta está disponível na internet ou outra base de dados, qualquer que seja a Inteligência Artificial ela vai se apropriar, combinar e produzir respostas para a questão colocada. Lembrando, sempre, que máquinas ainda não raciocinam, só reproduzem de forma organizada o que um ser humano construiu. O grande incômodo está em constatar que as IAs estão se desenvolvendo em ritmo maior do que se previu. Embora com inúmeros alertas acreditávamos que sua evolução seria bem mais lenta. Começamos a nos habituar com o ChatGPT há pouco mais de uma década e neste período inúmeros concorrentes apareceram.

As mudanças tecnológicas ocorrem em velocidade absolutamente diferente das mudanças nos seres humanos, no seu comportamento e, sobretudo, na sua capacidade de aprender, assim temos, constantemente, esta sensação de que estamos perdendo essa corrida e que, talvez, as máquinas venham a dominar o mundo.  Deixar para uma máquina escrever é só o começo. Nossa escola tradicionalista que está com alguns séculos de atraso na transferência do foco do processo educativo do ensino para a aprendizagem, insiste em apresentação de conteúdos para retenção de memória. Assim, não é difícil imaginar que os estudantes passem a usar ferramentas de IA quando as propostas de atividades envolvam apenas pesquisa e memória. A máquina é mais rápida, mais efetiva e exige pouco esforço.

Precisamos repensar, urgentemente, em como usar as IAs nos processos de aprendizagem e não em como evitá-las. Elas já são inevitáveis.

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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