EXTREMOS climáticos e políticos

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Quem acompanha meu trabalho e meus artigos sabe que gosto de escrever e refletir sobre minha experiência e especialização sobre o direito ambiental,  pois é uma forma de contribuir com a conscientização para  proteger nosso habitat,  nossa subsistência e o futuro das próximas gerações, entre outros aspectos.  Contudo, minha experiência profissional ao longo de 30 anos no Ministério Público, atuando também como agente político e em situações de interesses difusos e coletivos, contribuindo com a eficiência da máquina administrativa, me permite compartilhar sobre uma participação política consciente, ativa e democrática. Um paralelo se faz necessário entre os extremos climáticos e políticos.

É por meio da política que garantimos não apenas a tutela dos nossos ecossistemas, mas também o atendimento a todas as demais demandas fundamentais de uma população — como saúde, educação, justiça e dignidade —, reforçando que o engajamento de cada indivíduo é a única ponte capaz de transformar pautas necessárias em políticas públicas concretas.

Assim como a atmosfera terrestre reage de maneira implacável ao acúmulo contínuo de gases de efeito estufa e a agressões sistêmicas ao meio ambiente — transformando desequilíbrios térmicos e poluição em tempestades avassaladoras, secas prolongadas e eventos climáticos extremos —, a esfera social adoece e colapsa quando submetida a pressões extremas e polarizações artificiais.

A natureza e a política compartilham de uma vulnerabilidade estrutural comum: a ausência de moderação gera instabilidade. Na dinâmica planetária, o excesso de energia retida desorganiza os ciclos naturais; na dinâmica humana, o afastamento do diálogo e a rejeição ao contraditório criam um ambiente tóxico onde a convivência democrática se corrói rapidamente, abrindo espaço para turbulências institucionais de proporções imprevisíveis.

A política contemporânea global e nacional converteu-se perigosamente em um cenário de radicalismo cego, no qual vertentes de extrema-direita e de extrema-esquerda abandonaram por completo a prudência e a racionalidade. Em vez de atuarem como defensores de projetos de sociedade debatidos à luz de evidências, amplos setores passaram a se comportar como torcidas organizadas de clubes rivais ou como adeptos de seitas de cunho fundamentalista religioso — terreno fértil de onde brotam, com frequência alarmante, os grupos extremistas político-religiosos. Nesses espaços sectários, o dogma substitui o argumento lógico, e a crença cega anula o pensamento crítico.

O opositor político deixa de ser visto legitimamente como um concidadão portador de uma visão alternativa de mundo para se transformar em um inimigo existencial que precisa ser aniquilado. Esse panorama de antagonismo visceral e constante gera uma erosão profunda na coesão social, empurrando a população para trincheiras ideológicas irreconciliáveis e esvaziando o sentido prático da deliberação democrática.

Como reflexo direto desse espetáculo degradante de intolerância e ódio institucionalizado, uma parcela cada vez mais expressiva da população experimenta um profundo sentimento de exaustão e desencanto. Incapazes de tolerar tamanhos extremos e a violência verbal cotidiana alimentada pelos polos, muitos cidadãos optam pelo distanciamento radical da vida pública: desistem de votar, abandonam o debate político e desacreditam por completo das instituições da democracia representativa.

Essa apatia coletiva, longe de representar uma solução, agrava ainda mais a crise, pois abre espaço para que minorias extremistas, barulhentas e organizadas sequestrem os rumos do Estado. A democracia, para sobreviver, exige engajamento e vigilância constante, mas o cidadão comum tem sido repelido por uma arena pública transformada em um campo de batalha estéril e hostil.

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Para evitar o colapso civilizatório e institucional, a postura da humanidade diante do planeta e das próprias regras de convivência precisa passar por uma profunda reformulação ética. Da mesma forma que devemos cuidar do meio ambiente com rigor, planejamento científico e responsabilidade intergeracional para mitigar e sofrer menos com os impactos dos eventos climáticos extremos, é urgente cultivar um ecossistema político saneado.

Esse novo horizonte exige o surgimento e o apoio incondicional a candidaturas equilibradas, comprometidas com o diálogo, com a ciência e com a centralidade dos direitos fundamentais. Para tanto, a lei e o ordenamento jurídico devem atuar de maneira firme e imparcial, funcionando como a verdadeira balança de equilíbrio da República. Somente assim o bem comum — voltado genuinamente para a totalidade da coletividade, e não para o benefício exclusivo deste ou daquele segmento privilegiado — continuará sendo perseguido como a finalidade única e inegociável da política, viabilizando enfim uma sociedade mais justa, pacífica e equilibrada nos planos físico, emocional, mental e espiritual.(Texto idealizado e estruturado pelo autor, contando com o apoio de ferramenta da inteligência artificial Gemin).

CLAUDEMIR BATTAGLINI

Claudemir Battaglini. Promotor de Justiça (inativo), Especialista em Direito Ambiental, Professor Universitário, Consultor Ambiental e Advogado. Presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB Subseção Jundiaí e membro do COMDEMA Jundiaí 2025/2027. E-mail: [email protected]

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