Antes do amanhecer, enquanto a maior parte da cidade ainda dorme, centenas de agricultores de Jundiaí já estão no campo. É entre parreirais, hortas, estufas e plantações que eles enfrentam o frio, o calor, a chuva e as incertezas do clima para garantir alimentos de qualidade, preservar tradições familiares e fortalecer uma das vocações mais importantes do município. Hoje, 28 de julho, é celebrado o Dia do Agricultor – homens e mulheres que fazem do campo muito mais do que um local de trabalho e criam legado que atravessa gerações e impulsiona a economia local.
Reconhecida nacionalmente como a Terra da Uva, Jundiaí possui mais de 190 quilômetros quadrados de área cultivada e cerca de mil propriedades rurais ativas, em sua maioria conduzidas pela agricultura familiar. Além da tradicional produção de uvas, o município se destaca pela diversidade agrícola, com hortaliças, frutas, flores, plantas ornamentais, vinhos, sucos e inúmeros produtos que abastecem mercados, feiras e consumidores dentro e fora da cidade. Essa força do campo também movimenta o turismo rural, gera emprego, renda e mantém viva uma história construída por famílias que há décadas dedicam suas vidas à agricultura.
Para o diretor de Agronegócio da Unidade de Agronegócio, Abastecimento e Turismo, Sérgio Pompermayer, cada produtor representa uma parte da identidade de Jundiaí. “O agricultor é protagonista da história e do desenvolvimento de Jundiaí. É ele quem preserva nossas tradições, movimenta a economia, gera oportunidades e garante alimentos de qualidade para a população. Valorizar quem vive do campo é reconhecer um trabalho que exige dedicação todos os dias do ano e que faz parte da identidade da nossa cidade.”
No bairro do Traviú, o agricultor Anderson Tomasetto(foto principal) representa a quarta geração da família dedicada ao cultivo da uva. Para ele, trabalhar na propriedade nunca foi apenas uma profissão. “Desde pequeno eu ajudava no sítio. Depois a gente cresce, assume responsabilidades e percebe que essa paixão já faz parte da vida. Trabalhar com uva está no sangue. Acho que a primeira coisa é gostar do que faz.”

Foi justamente esse sentimento que também motivou Guilherme Lourençon(acima) a mudar completamente de carreira. Após 12 anos atuando no comércio exterior, ele decidiu voltar para a propriedade da família em 2019 para ajudar o pai e garantir a continuidade de uma tradição que sustentou várias gerações.
Além de modernizar a gestão da produção, buscar novos mercados e investir em novas técnicas de cultivo, Guilherme enxergou uma oportunidade para agregar valor à produção com a fabricação artesanal de suco de uva. Hoje, o produto conquista consumidores justamente por preservar uma das maiores características da região: a uva Niagara. “O sítio sustentou a nossa família durante toda a vida. Voltei porque não queria deixar essa história acabar. Hoje buscamos inovação, mas sem perder a essência daquilo que aprendemos com nossos pais e avós.”

A rotina de quem vive da agricultura exige muito mais do que conhecimento técnico. O clima, as pragas, a falta de mão de obra e as oscilações do mercado fazem parte do dia a dia dos produtores. Há mais de 30 anos dedicada à produção de flores e plantas ornamentais, a produtora Sônia Ditti Frigeri(acima) conhece bem esses desafios. Em sua propriedade no Champirra, ela emprega cerca de 12 colaboradores e envia mensalmente milhares de plantas para diversos estados brasileiros e até países da América Latina.
“A gente está sempre olhando para o céu. Se venta demais, rasga a estufa; se chove demais, prejudica; se faz muito calor ou geada, também. Apesar dos desafios, trabalhar com a natureza é apaixonante. Ver uma planta crescer e depois fazer parte de um momento especial na vida das pessoas é muito gratificante.”

Quem também conhece bem essa rotina é o agricultor Paulo Castro(acima), que cultiva hortaliças e uvas há mais de três décadas. “Nossa horta tem de tudo um pouco para oferecer sempre produtos fresquinhos na feira. O trabalho começa cedo, depende do clima e cada colheita traz um novo desafio. A gente trabalha com muito prazer, mas também precisa que a atividade seja rentável para continuar produzindo.”
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