Co-vereadora sobre vídeo postado por Rodrigo Albino: Capacitismo

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A co-vereadora do PSOL Jundiaí, Patrícia Torricelli(foto), criticou duramente a divulgação de vídeo nas redes sociais do vereador Rodrigo Albino(PL) sobre suposto uso indevido de vaga para pessoas com deficiência. O fato ocorreu nas proximidades da EE Anna Rita Alves Ludke, na vila Alvorada, em Jundiaí, na manhã do último domingo(25), dia do segundo turno. A escola era uma zona eleitoral. A filha de um consultor de 55 anos foi filmada retirando cavalete com placa de proibido estacionar de uma vaga para deficientes. A jovem está vestida de vermelho e, por não aparentar ter problemas de saúde, a situação passa a ser ironizada por quem fazia a filmagem. Essas pessoas, no entanto, não perguntaram ao motorista qual era a sua situação. Ele é PCD. Patrícia afirma que as imagens não trazem apenas falas infelizes. “Isso é capacitismo. É ridicularizar uma situação sem considerar a realidade e as dificuldades das pessoas com deficiência”. A co-vereadora também é portadora de deficiência. Segundo o consultor, o vídeo foi feito pelo próprio parlamentar. Ele deletou as imagens das redes sociais. Porém, a página Central do Flávio Bolsonaro, no X(antigo Twitter), repostou o vídeo com o mesmo enunciado das publicações do parlamentar de Jundiaí. Outras páginas fizeram o mesmo.

“A filha de uma pessoa com deficiência desceu do carro para retirar o cavalete da vaga PCD. E o vereador publicou um vídeo zombando disso, ao invés de questionar a barreira que esse procedimento representa na vida das pessoas, diariamente. Quem conhece a realidade das pessoas com deficiência sabe que esse procedimento pode sim ser uma barreira. A pessoa precisa sair do carro, retirar o cavalete, voltar pro carro, e só então manobrar para depois ir para onde ela precisa. Agora, imagina fazer tudo isso, sozinho, ou usando o cadeira de rodas, andador, ou bengala, como no caso da pessoa que estava dirigindo?”, questionou Patrícia.

Ela afirma que também já enfrentou desconfiança por usar vagas especiais. “Mas não enxergar uma deficiência não significa que ela não exista. Ridicularizar alguém ou duvidar da sua condição é preconceito, é capacitismo. E esse, infelizmente, é o mesmo padrão de discriminação que apareceu nas falas que fizeram sobre os nove dedos do presidente Lula. Nós podemos criticar qualquer pessoa ou político por suas ideias e decisões, mas deficiência não pode ser motivo de piada. No caso do vídeo, mesmo que o vereador o tenha deletado, as imagens continuam circulando em grupos, com discursos preconceitosos. Apagar uma publicação não apaga o impacto de uma fala na vida da pessoa. Quem ocupa um cargo público deveria combater o preconceito, não reforçá-lo. Ninguém conhece nossas dores, nossas limitações e as dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Por isso, ninguém tem o direito de transformar a nossa deficiência em espetáculo. Deficiência não é motivo de piada. Capacitismo não é opinião e respeito não é favor, é direito”, conclui a co-vereadora.

O que é? Capacitismo é a discriminação, o preconceito e a exclusão social direcionados contra pessoas com deficiência. Ele se manifesta quando a sociedade assume que corpos e mentes com deficiência são inferiores, incapazes, anormais ou que precisam ser “corrigidos” para se ajustarem a um padrão considerado ideal.

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