A Câmara Municipal de Jundiaí recebeu nesta semana o projeto de lei nº 15362/2026, de autoria do vereador Paulo Sergio Martins, que institui diretrizes para incentivar o reúso de água nos sistemas de resfriamento e demais operações de data centers na cidade. A proposta visa criar política municipal voltada à segurança hídrica e à sustentabilidade da infraestrutura digital instalada ou que venha a se instalar no município, embora o texto ainda não tenha uma data definida para ser votado pelos parlamentares.
Na justificativa da proposta, o autor destaca que o avanço acelerado da economia digital tem atraído centros de processamento de dados para diversas regiões, gerando uma elevada demanda energética e, sobretudo, um consumo significativo de água para o controle térmico de servidores e infraestruturas eletrônicas. O projeto estabelece o uso da água proveniente de processos de tratamento de efluentes em torres de resfriamento, climatização de ambientes técnicos e limpeza de áreas operacionais, substituindo gradualmente o uso de água potável em atividades que não demandem padrão de consumo humano. O texto enfatiza, contudo, que as diretrizes não dispensam o cumprimento das normas ambientais e sanitárias vigentes, e não criam uma obrigação impositiva de instalação dos sistemas para os empreendimentos públicos ou privados.
Jundiaí já conta com um data center de grande porte operando. É o Ascenty(foto), cujo complexo com duas unidades, fica no Medeiros. O primeiro complexo é focado em projetos de grande escala e alta densidade elétrica, com 15 MW de energia total e 8 mil m² de área. O segundo foi inaugurado em 2019 e soma mais 13 MW de potência e 8.500 m² de área. As duas unidades operam de forma interconectada por rede própria de fibra óptica, ligando grandes empresas da região diretamente aos principais provedores de nuvem do mundo (como Google, AWS e Microsoft).
No ano passado, a Scala Data Centers anunciou a construção de um novo campus em Jundiaí. É um dos investimentos mais expressivos da história da cidade, projetado para somar aportes que podem chegar a US$ 20 bilhões (entre os investimentos diretos da companhia e os de seus clientes de tecnologia). Esse projeto faz parte da expansão da empresa no Brasil para atender à crescente demanda de processamento de dados exigida por ferramentas de Inteligência Artificial.
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