No nosso último artigo, a gente conversou sobre como a tecnologia está transformando nossas cidades em lugares mais inteligentes. Mas você já parou para pensar de onde surgiu essa ideia de “coisas” conversando sozinhas? Muita gente acredita que a Internet das Coisas (IoT) é uma invenção recente, saída de algum filme de ficção científica, mas a verdade é que a semente dessa revolução foi plantada há décadas, muito antes do primeiro smartphone aparecer no seu bolso.
Tudo começou em 1982, nos corredores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos. Naquela época, os estudantes de computação enfrentavam um dilema bem comum: eles andavam corredores imensos para chegar até a máquina de Coca-Cola e, muitas vezes, descobriam que ela estava vazia ou, pior, que o refrigerante tinha acabado de ser reposto e ainda estava quente. Para resolver esse “problemão”, eles conectaram a máquina à ARPANET — que era a rede precursora da Internet que conhecemos hoje.
Com alguns sensores simples, eles conseguiam monitorar o estoque e a temperatura das garrafas diretamente de suas mesas. Foi, oficialmente, o primeiro dispositivo conectado da história. O objetivo era simples: usar dados para economizar tempo e evitar frustrações. Ou seja, a IoT nasceu para resolver problemas práticos do dia a dia.
Apesar desse experimento nos anos 80, o termo Internet of Things só apareceu em 1999, cunhado pelo pesquisador britânico Kevin Ashton. Na época, Ashton trabalhava na Procter & Gamble e buscava uma forma de usar chips de rádio (os famosos RFIDs) para gerenciar estoques de forma inteligente. Enquanto o mercado falava apenas em M2M (Machine to Machine), que era basicamente uma máquina mandando um comando para outra, Ashton percebeu algo maior.
Ele entendeu que, ao conectar o mundo físico ao digital, criaríamos um sistema global de inteligência onde as coisas poderiam “sentir” o ambiente sem depender apenas de humanos digitando dados. Era o início da visão de um mundo onde os objetos teriam identidade digital.
Porém, nem tudo foi certeiro nessa trajetória. Durante muito tempo, vivemos o que chamamos de “Mito da IoT”. Você deve se lembrar de propagandas antigas prometendo geladeiras que compram leite sozinhas ou torradeiras que avisam o tempo no celular. Muita gente achou que isso era o futuro, mas a verdade é que essas ideias não decolaram porque não resolviam problemas reais. Eram apenas luxos tecnológicos caros e sem muita utilidade.
Especialistas renomados, como Matt Hatton e William Webb, já alertavam: o crescimento real da tecnologia viria de conexões que fizessem sentido econômico e prático. A IoT de verdade está nos sensores que otimizam o consumo de água na agricultura, nos dispositivos que monitoram a saúde de pacientes em tempo real e nos sistemas que evitam desperdício de energia nas indústrias.
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ROGÉRIO MOREIRA
É presidente da ABINC(Associação Brasileira da Internet das Coisas). É engenheiro eletrônico e mestre em administração de empresas. Atua profissionalmente na área de dispositivos semicondutores pela empresa americana Microchip Technology. É professor universitário da UniAnchieta em Jundiaí. Nasceu na cidade de São Paulo, e mora em Jundiaí há 33 anos.
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