Odilies Moro, de 80 anos, dedicou boa parte da vida profissional ao grupo empresarial responsável pelo Jornal de Jundiaí(JJ) e hoje está entre os mais de 100 ex-funcionários que procuraram a Justiça para receber seus direitos trabalhistas. Em 2027 completará 10 anos que Odilies foi dispensada sem justa causa. Ela afirma que não recebeu as verbas rescisórias garantidas por lei, tendo de buscar a ajuda da Justiça do Trabalho. Com problemas de saúde, Odilies precisa continuar na ativa, atuando como corretora de imóveis. Neste entrevista, a ex-funcionária do JJ e da Rádio Difusora fala sobre suas angústias diante da demora do Poder Judiciário em fazer com que as decisões sejam cumpridas e as ações cheguem ao fim. Confira a entrevista dela:
Quando começou a trabalhar no Jornal de Jundiaí?
Iniciei minhas atividades no JJ em 2000, atuando na área comercial. Após breve passagem por outra empresa, fui convidada a retornar para assumir cargos de maior responsabilidade, trabalhando inicialmente na Rádio Difusora Jundiaiense e, a partir de setembro de 2007, como gerente comercial regional do Jornal de Jundiaí. Durante anos exerci funções estratégicas, coordenando a área comercial, liderando equipes, representando institucionalmente a empresa e contribuindo diretamente para seu crescimento e consolidação. Em 2013, ocorreu uma reestruturação interna que reduziu significativamente meus rendimentos, mas permaneci na empresa, acreditando que meu histórico de dedicação e lealdade seria reconhecido.
Por que deixou o grupo JJ de comunicação?
Em setembro de 2017 fui dispensada sem justa causa e, para minha surpresa, a empresa simplesmente não pagou as verbas rescisórias que eram garantidas por lei. Sei que diversos outros empregados também foram dispensados da mesma forma…
Passou por dificuldades financeiras neste período?
A ausência desse pagamento desencadeou uma série de dificuldades financeiras. Sem receber aquilo que havia conquistado ao longo de tantos anos de trabalho, fui obrigada a vender meu apartamento por valor inferior ao de mercado, perder meu patrimônio, vender também meu carro e passar a morar de aluguel. Hoje dependo da ajuda de familiares para conseguir arcar com despesas básicas, como condomínio, além dos elevados gastos com minha saúde.
Você já se aposentou?
Sim. Mas mesmo aposentada continuo trabalhando como corretora de imóveis porque simplesmente não tenho outra alternativa. Aos 80 anos, convivendo com artrose crônica nos dois joelhos e necessitando de tratamentos constantes, deveria estar vivendo uma aposentadoria tranquila e digna, e não lutando diariamente para pagar contas e manter o mínimo de qualidade de vida.
Qual era a sua expectativa em relação à Justiça do Trabalho?
Busquei a Justiça do Trabalho confiando que meus direitos seriam reconhecidos. Infelizmente, quase 10 anos depois da demissão, ainda não recebi o que me é devido. O que mais causa indignação é saber que o processo não está parado por inexistência de patrimônio dos devedores. Há bens penhorados, inclusive imóveis, bem como valores já constritos judicialmente. No entanto, até o presente momento, esses bens não foram convertidos em recursos capazes de satisfazer os créditos dos trabalhadores, fazendo com que a execução permaneça sem resultado prático.
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Se você pudesse se dirigir diretamente aos juízes que cuidam das ações trabalhistas contra este grupo empresarial, o que falaria?
Minha maior angústia não é apenas a dívida da empresa, mas a demora do Poder Judiciário em proporcionar uma solução efetiva. O tempo passa, os trabalhadores envelhecem, adoecem e enfrentam dificuldades cada vez maiores, enquanto os processos permanecem sem uma conclusão que permita transformar os bens já penhorados em pagamento aos credores. Depois de tantos anos dedicados à empresa, tenho uma pergunta: será que ainda receberei aquilo que a lei reconhece como meu direito? Quantos ex-funcionários precisarão envelhecer ou até morrer sem ver cumprida uma decisão judicial? Não busco privilégios. Busco apenas que a Justiça seja efetiva e que um processo que já se arrasta há tantos anos finalmente alcance seu objetivo: fazer com que os trabalhadores recebam aquilo que lhes é devido.
O Jornal Jundiaí Agora entrou em contato com a assessoria de comunicação do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(TRT-15). A resposta sobre a situação de Odilies e outros tantos ex-funcionários do JJ foi a seguinte: “O TRT-15 não se pronuncia sobre processos judiciais em andamento”.
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