Não se sabe exatamente qual é a soma do assalto contra os cofres da Previdência Social. Há uma estimativa de 600 milhões… de dólares! A Previdência Social brasileira inova. Preocupada com os habitantes do além-túmulo, passou a pagar aposentadoria ou pensão para fantasmas e mortos. Nem precisou abrir uma agência no cemitério com direito a velório. Essa inovação contribui para que milhares de seres de outro mundo se juntem para obter um pagamento. No passado, na época da República Velha, os mortos também votavam e talvez, por isso, se inspiraram para se aposentar. O golpe é aplicado por advogados que prometem aos idosos rapidez e pagamentos maiores do que têm direito. Uma oferta irrecusável. Para isso não basta conhecer a máquina estatal – é preciso ser bem relacionado com os que têm a chave do cofre.
A máquina da corrupção é azeitada pela conivência dos contadores do INSS, que fazem cálculos superfaturados dos benefícios. A teia da corrupção chega a envolver membros do Poder Judiciário, que dão cobertura e sentenças favoráveis aos pedidos de aposentadorias, com ou sem documentos verdadeiros. Há exemplos de corrupção em outras áreas do governo também. A falta de fiscalização, o compadrio político e o parasitismo da máquina estatal são exemplos que inspiram outros malandros a se aproveitarem da corrupção. Os processos são lentos e as investigações só aumentam quando a mídia investiga e publica fatos que deveriam ser alvos da justiça. Os acusados de roubar a Previdência se defendem com a velha estratégia de acusar os investigadores de estarem movidos por perseguição política. Não escondem os bens que adquirem com essa lambança, que inclui até viagens internacionais.
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Os corruptos armam uma estratégia de pôr a mão no bolso dos velhinhos. O rombo na Previdência chega a 112 milhões de dólares para um único líder do esquema. Os cofres do INSS, já arruinados pela desorganização e casos constantes de corrupção, não conseguem pagar aposentadorias e pensões dos mais velhos. A líder do plano para arrombar o cofre da Previdência é a advogada Jorgina Fernandes. A maioria dos envolvidos na corrupção em 1992 é presa. Jorgina foge. Pula de país para país, faz oito operações plásticas para não ser reconhecida e durante cinco anos dá um baile na Polícia Federal brasileira. E não é o bailão sertanejo: ela forja uma nova identidade e passa a se chamar Maria. Maria do quê? Em 1998 é extraditada para o Brasil e condenada a 12 anos de cadeia. Três anos depois perde a inscrição na OAB e cumpre a pena em cela comum com outras detentas.(Foto: Polícia Federal)

HERÓDOTO BARBEIRO
Heródoto Barbeiro é jornalista do Record News, R7 e Nova Brasil (89.7), além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”
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