RÃS-gota-dourada da Serra do Japi ganham minidocumentários

rãs

Alunos de graduação do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp produziram uma série de três minidocumentários que lançam luz sobre as rãs-gota-dourada (Brachycephalus spp. ) e sobre a crise global de extinção dos anfíbios. A espécie é encontrada na Serra do Japi e está sendo vítimas de um fungo causado pelas mudanças climáticas. Os vídeos foram produzidos por Juliane Lopes e Júlia Checchinato, que é jundiaiense.

As rãs-gota-dourada medem entre 1,25 cm e 1,97 cm. “Eu queria mostrar que existe vida na Serra do Japi. Muitas pessoas desconhecem a existência dessa rãzinha, superespecial e carismática. Mas eu também queria expor a situação em que os anfíbios se encontram. Só de contar para as pessoas, elas já se surpreenderam. Então, fazer um filme é uma forma eficaz de comunicar essa situação”, contou Júlia.

Os vídeos estão no canal de divulgação do laboratório no YouTube e juntos já alcançaram quase 24 mil visualizações. Um alcance considerado um sucesso pelas idealizadoras do material, Júlia e Juliane – que encontraram neste projeto a possibilidade de trabalhar com divulgação científica e, mais especificamente, com a produção de documentários sobre a vida selvagem.

Os minidocumentários abordam as características das rãs e, aos poucos, se aprofundam nas ameaças enfrentadas atualmente pelos anfíbios. O conteúdo destaca a pandemia da doença causada pelo fungo da espécie Batrachochytrium dendrobatidis, que interfere na respiração e na função cardíaca dos animais, já causou a extinção de cerca de 90 espécies ao redor do mundo e impôs declínio populacional a outras 500, segundo os vídeos.

Para Júlia, o sonho de trabalhar nessa área surgiu em 2022, quando soube dessa possibilidade durante uma aula. Desde então, ele tem aproveitado as oportunidades que surgiram, realizando estágios nos quais trabalhou na disseminação de conteúdo científico nas redes sociais. “Acompanhei muitos pesquisadores na área e percebi que gostava mais de tirar fotos e filmar do que da pesquisa em si. Aí, em casa, eu escrevia uma matéria, postava no Instagram, e as pessoas adoravam. Sempre quis trabalhar nessa área, mas achava que era algo inatingível. E, de fato, não é”, disse ele.

Para Juliane Lopes, a atividade ofereceu a oportunidade de testar algo diferente dentro da biologia. “Eu estava fazendo iniciação científica em outra área, mas não estava gostando. Sempre gostei dessa parte da divulgação porque acho importante tirar a informação da bolha acadêmica, passando para as pessoas esse conhecimento que ninguém nunca ouviu falar. Nós, que estamos na universidade, sabemos que esse não é um problema que começou agora.”

“É importante que as pessoas saibam disso porque somos os culpados pela disseminação do fungo nas rãs. Ele é transportado pela água, mas principalmente por vetores, como pessoas (seja por áreas contaminadas ou pelo tráfico de animais)”, disse Lopes. Além disso, os vídeos também destacam os impactos causados ​​pelas mudanças climáticas e pela destruição do habitat dos animais, tornando-os ainda mais vulneráveis.

No Brasil, 59 espécies de anfíbios estão sob algum grau de ameaça devido a esses fatores. O desaparecimento desses animais põe em risco o equilíbrio ambiental: posicionados no meio da cadeia alimentar, os anfíbios contribuem para o controle das populações abaixo deles (alimentando-se de insetos e aracnídeos, por exemplo) e acima deles. Segundo Júlia, saber que há pesquisadores em universidades públicas dedicados ao tema também é importante. “Só de acompanhar as informações nas redes sociais já é uma forma de apoio.”(Texto base: jornal.unicamp.br/Foto: Júlia Checchinato)

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