A INUTILIDADE do teto solar

TETO SOLAR

Recentemente considerei trocar de carro e consultei um especialista sobre o valor do meu atual veículo para ver se valia a pena. A primeira pergunta que ele me fez foi se meu carro tinha teto solar, respondi que não, mas estranhei a pergunta, pois já tive automóvel com teto solar e sei tanto da sua inutilidade como dos eventuais problemas que pode apresentar. Fiquei espantado em saber que este item valoriza o veículo.

Nestas terras tupiniquins, vez ou outra, somos assolados por modismos ditados sabe-se lá por que motivos, que nos levam a procedimentos incompatíveis com a lógica e o pragmatismo. Por muitos anos comprávamos veículos de duas portas sob o argumento de que quatro portas “é taxi”. E lá íamos nós acessando os bancos traseiros com um considerável grau de desconforto atendendo um conceito absolutamente equivocado. Entrar no banco de trás de um fusca só era possível se não houvesse ninguém no banco do passageiro ou “esmagando” quem estivesse nele. E sair, então? Tudo em prol de uma suposta esportividade que caracteriza os modelos potentes que, convenhamos, passa bem longe dos “besouros”. Assim, as empresas automobilísticas se beneficiaram vendendo produtos com duas portas a menos, pois comprar um carro com quatro portas era casar com ele para sempre, era ficar com o “mico”. Pouco importa se, como mais tarde felizmente se descobriu, as portas de acesso aos bancos traseiros representam um conforto desejável e não modificam o desempenho de nenhum veículo.

Este comportamento se repete em inúmeras ocasiões como esta dos tetos solares. Concebidos nos países europeus, possivelmente para os períodos mais frios, como elemento auxiliar de ventilação, nos tempos em que se fumava dentro dos automóveis e a fumaça tinha que sair por algum lugar. Além disso, não serve para muita coisa. Do ponto de vista estético é controverso. Quando aberto piora o desempenho do automóvel, pois aumenta o arrasto aerodinâmico e, em um país tropical, representa “sol no cocoruto”, assim se abrimos o teto nos cobrimos com um chapéu. Sem contar o perigo de uma criança subindo no banco para se enfiar na abertura. Parece mais coerente deixar o dispositivo fechado.

Sem falar dos eventuais maus funcionamentos. Lembro-me do sistema elétrico falhar deixando o teto semiaberto, rezando para não chover. Depois disso travei o dispositivo e nem me lembrava de sua existência posto que não me fazia falta alguma. Minha experiência talvez não tenha sido das melhores, por isto minha surpresa ao constatar que este é um item desejável no veículo, embora não tenha muita utilidade e ainda pode apresentar problemas, inclusive de segurança. Fico pensando se não é apenas mais um efeito, devidamente repaginado, dos modismos injustificáveis e inexplicáveis como a rejeição por anos dos carros de quatro portas.

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FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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