ASIMOV e RAND

ASIMOV

Recentemente fui estimulado a reler alguns autores que fazem parte da minha trajetória e formação docente. Nenhum deles escreve especificamente sobre educação, mas suas produções literárias impactaram a construção do pensamento de milhões de pessoas. Isaac Asimov (1920,1992) escreveu ficções científicas. Ayn Rand (1905, 1982) editou livros sobre política econômica e social. Em comum eles são nascidos na Rússia, passaram pela revolução russa de 1917 e migraram para os Estados Unidos para se tornarem grandes autores em língua inglesa.

Dentre as inúmeras obras de Asimov está a trilogia “Fundação” enquanto que “A revolta de Atlas” é uma das mais relevantes produções de Ayn Rand. Neste livro ela aborda o que aconteceria se os homens de bem, trabalhadores, empreendedores, criadores e pagadores de impostos resolvessem “dar de ombros”, ou seja, parassem de se importar e se desinteressassem de tudo. A referência a Atlas representado na figura de alguém que carrega o mundo nas costas é significativa na mensagem: O que aconteceria com a humanidade se aqueles que carregam o mundo não o fizessem mais?

O artigo de Asimov ao qual quero me referir é “Profissão” de 1957, em uma análise feita pelo jornalista Pedro Cunha. Nela o personagem principal se vê envolvido em um processo de aprendizagem que se limita a imprimir conteúdos e se revolta, pois quer aprender por conta própria, contrariando uma imensa maioria que abre mão da reflexão, do questionamento e a produção de novas ideias o que Asimov considera como elementos essenciais para o progresso da civilização, numa antecipação de tudo que se observa na atualidade, inclusive prevendo as interferências produzidas por máquinas na formação das pessoas.

O paralelo com as obras de Ayn Rand aparece no seu incessante alerta para a preservação das liberdades individuais que não devem ser condicionadas às vontades políticas assegurando aos indivíduos as escolhas desde sua formação às atividades que pretendem desenvolver. Esta liberdade de aprender e construir seus próprios conhecimentos é fundamental para formarmos mentes criativas capazes de alavancar o desenvolvimento humano e social.

Há neles um alerta, talvez uma visão, de que o uso indiscriminado das inteligências artificiais desvinculadas de uma postura crítica, possibilitando a tomada de decisões, informações e atividades sem verificar sua confiabilidade ou veracidade pode provocar um impacto na formação educacional, eventualmente irreversível.

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