
A história do futebol em Jundiaí começa a ganhar forma no início do século XX com a presença de um ferroviário escocês: Thomas Archibald Scott(foto ao lado). Nascido em Dundee, na Escócia, em 20 de outubro de 1855, Scott chegou ao Brasil ainda no final do século XIX para trabalhar na Companhia Paulista de Estradas de Ferro, empresa que concentrava técnicos e operários estrangeiros responsáveis pela expansão ferroviária no interior paulista.
Funcionário da ferrovia, Scott atuou inicialmente em Campinas, onde já incentivava a prática de um esporte então pouco conhecido fora da Europa: o futebol. Com a transferência da administração da Companhia Paulista para Jundiaí, em meio à epidemia de febre amarela que atingiu Campinas no início dos anos 1900, ele também se mudou para a cidade e passou a difundir o jogo entre colegas de trabalho e moradores locais.

O escocês esteve entre os funcionários que, em 15 de novembro de 1900, fundaram o Grêmio Recreativo dos Empregados da Companhia Paulista, o Grêmio CP. A associação tinha caráter cultural e esportivo e se tornaria um dos principais espaços de sociabilidade dos ferroviários e seus familiares, ajudando a consolidar a prática esportiva em Jundiaí.
Poucos anos depois, em 1903, Thomas liderou a criação do Jundiahy Foot Ball Club(fotos acima e principal), considerado o primeiro time organizado da cidade. Formado majoritariamente por trabalhadores da ferrovia e descendentes de imigrantes britânicos, o clube disputou partidas contra equipes de São Paulo, Campinas e Santos, ajudando a colocar Jundiaí no circuito nascente do futebol paulista.

Embora tenha existido por poucos anos, o Jundiahy Foot Ball Club deixou um legado duradouro. Após o encerramento de suas atividades, em 1908, antigos integrantes e simpatizantes se reuniram novamente, e em 17 de maio de 1909 fundaram o Paulista Foot Ball Club(foto acima/década de 1920), considerado continuidade direta do primeiro time ferroviário. O novo clube manteria a ligação com a Companhia Paulista e se tornaria, décadas depois, uma das principais instituições esportivas do interior do estado. Scott acompanhou de perto esse processo e participou da organização esportiva local até o fim da vida.

Ele morou no casarão que ficava na esquina das ruas Prudente e Siqueira de Moraes, que mais tarde seria sede do Lar Anália Franco. Este imóvel foi demolido(foto acima). O escocês morreu em Jundiaí no dia 5 de fevereiro de 1913, sendo sepultado no Cemitério Nossa Senhora do Desterro. Ele deixou a esposa, Helen Cowie Scott, e sete filhos. Seu nome permanece associado à introdução do futebol na cidade e à fase pioneira do esporte entre os ferroviários do interior paulista.
Mais de um século depois, o crescimento do Paulista Futebol Clube e a permanência do Grêmio CP como espaço social e esportivo ajudam a demonstrar a dimensão da influência daquele ferroviário escocês. Ao trazer consigo regras, bolas e o hábito de jogar futebol, Thomas Archibald Scott contribuiu para transformar um passatempo europeu em parte da identidade cultural de Jundiaí.
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