Jundiaí 2026: por que votar na ESQUERDA?

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É com o olhar de quem percorre as entranhas da história social brasileira que analiso Jundiaí, município estratégico do interior paulista. Berço de movimentos operários, cortado por ferrovias que um dia escoaram a produção cafeeira e, depois, a força fabril, Jundiaí carrega em seu solo a contradição entre o pioneirismo industrial e a moderna face do agronegócio, do setor de serviços e da especulação imobiliária. Hoje, ao mirarmos 2026, com a perspectiva de reeleição do presidente Lula e a ascendente campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, impõe-se uma pergunta crucial: por que votar na esquerda neste cenário?

A resposta começa na própria realidade socioeconômica jundiaiense. Oficialmente, a cidade ostenta um dos maiores PIBs per capita do estado e baixos índices de desemprego aberto. Contudo, sob a superfície dos números oficiais, pulsa uma Jundiaí profunda, marcada pela precarização do trabalho logístico, pela explosão do custo de vida e pela segregação territorial. Os centros de distribuição e as plataformas de e-commerce, gigantes que se instalaram às margens dos grandes eixos rodoviários, empregam milhares, sim, mas sob regimes de metas abusivas, jornadas elásticas e salários que mal acompanham o aluguel nos bairros periféricos como o Novo Horizonte ou a Vila Hortolândia. A esquerda, diferentemente de uma administração técnica ou de direita, entende que desenvolvimento não se mede apenas pelo fluxo de mercadorias, mas pela qualidade de vida de quem as movimenta.

Votar em Lula e Haddad em 2026 significa, portanto, consolidar e ampliar políticas que Jundiaí já se beneficiou nos últimos anos. O novo PAC, o Minha Casa Minha Vida retomado, o programa Farmácia Popular e a valorização real do salário mínimo, todas essas bandeiras encontraram resistência cerrada nas elites locais, que preferem o discurso da “responsabilidade fiscal” vazio de conteúdo social. Numa cidade onde o custo da cesta básica supera a média estadual e onde o déficit habitacional se esconde atrás de condomínios fechados, a reeleição de Lula não é um luxo ideológico: é a garantia de que o Estado seguirá indo onde o mercado não vai. E Haddad, com seu histórico no Ministério da Fazenda e à frente da Educação, representa a chance de virar a página de décadas de governos tucanos e bolsonaristas que transformaram São Paulo num laboratório de privatizações, policialização e sucateamento da saúde pública e da educação.

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Mas há uma armadilha que o eleitor progressista não pode ignorar: por mais que Lula e Haddad vençam no Executivo, eles encontrarão um Congresso Nacional e uma Assembleia Legislativa de São Paulo profundamente hostis. O atual legislativo federal é refém de bancadas organizadas e reacionárias: a bancada do agronegócio (que enterra qualquer política de reforma agrária e de proteção ambiental), a bancada das bets (financiada pelo lixo das apostas eletrônicas, que suga o salário dos trabalhadores), a bancada evangélica (que transforma púlpito em palanque para criminalizar direitos humanos e diversidade) e a bancada da bala (que vende segurança pública como guerra e solução para a miséria social). Sem falar no Centrão fisiológico, que negocia emendas por apoio e inviabiliza qualquer projeto estruturante. Continua…

JOSÉ FELICIO RIBEIRO DE CEZARE

Mestre e doutorando em Ensino e História de Ciências da Terra pelo Instituto de Geociências da Unicamp. Membro da Academia Jundiaiense de Letras. Pesquisador, historiador, professor, filósofo e poeta. Coeditor da Revista literária JLetrasPara saber mais, clique aqui. Redes sociais: @josefelicioribeirodecezare.

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