Manual(nada básico) para se VESTIR sem ver

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O ato de se vestir, para muita gente, é abrir o guarda-roupa e decidir entre “essa ou aquela cor”. Para mim, é quase uma experiência sensorial completa — tipo um episódio especial onde o figurino é escolhido no modo “confia no processo”.

Tudo começa pelo toque. A mão vira olho, scanner e consultora de moda ao mesmo tempo. Tem camiseta que entrega tudo só de encostar: a mais macia geralmente é aquela confortável de sempre. A mais firme já dá uma pista de que é “roupa de sair”. Jeans então nem se fala — é praticamente inconfundível. Agora, quando aparece uma textura diferente, uma costura mais grossa ou aquela etiqueta que parece que foi colocada ali só pra ajudar, pronto: achei minha referência.

Mas não é só isso. Existe toda uma ciência — ainda não reconhecida oficialmente — por trás da organização do guarda-roupa. Algumas peças ficam juntas porque “funcionam”. Não sei explicar exatamente o motivo, mas funcionam. Outras ficam mais afastadas, quase de castigo, porque já causaram algum momento duvidoso no passado. É tipo memória fashion: a gente aprende errando… ou melhor, combinando criativamente.

E claro, tem o fator surpresa, que nunca falha. Você monta o look com toda a confiança do mundo, sai se achando pronto pra qualquer ocasião e, do nada, alguém comenta com um certo entusiasmo: “Você tá bem… diferente hoje!”. Essa pausa antes do “diferente” diz muita coisa. Mas aí já foi, né? O importante é sustentar o estilo — mesmo que ele tenha sido escolhido meio no escuro (literalmente).

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Com o tempo, a gente desenvolve truques na hora de se vestir. Separar roupas por conjuntos já aprovados, prestar atenção em detalhes únicos de cada peça, ou até contar com aquela ajudinha básica de alguém de confiança de vez em quando. Nada que tire a autonomia — pelo contrário, só fortalece.

E no fim, se vestir não é sobre enxergar cores. É sobre se reconhecer naquilo que está vestindo. É sair de casa confortável, seguro e com a sensação de que, independentemente da combinação, você está pronto pro dia.

Agora, se a roupa combinou perfeitamente ou virou um carnaval fora de época… aí já é outro detalhe. Mas cá entre nós: pior seria sair sem estilo nenhum.(Foto: Andrea Piacquadio/Pexels) 

JOÃO VITOR FRANCO GOUVEIA

É formado em Acessibilidade Digital, graduado em Gestão de RH e com certificação ITIL 4 Foundation, atua como monitor de informática para pessoas com deficiência visual no Instituto Jundiaiense Luiz Braille. Trabalha com tecnologia, inclusão e autonomia digital, acredita no uso da tecnologia como ferramenta de transformação social e defende que a inovação só faz sentido quando promove inclusão e acesso para todos.

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