As Promotoras Legais Populares e o enfrentamento ao racismo estrutural

promotoras

No próximo dia 14, das 19h30 às 22h, no Sindicato dos Bancários de Jundiaí, estarei mediando o curso de formação das Promotoras Legais Populares (PLPs), que terá como tema “Racismo como Estrutura de Poder”. O encontro propõe uma reflexão necessária sobre a urgência de ampliar os espaços de escuta e fortalecer o debate sobre as desigualdades que atravessam a vida das mulheres, principalmente das mulheres negras, indígenas, periféricas e em situação de vulnerabilidade social.

As promotoras representam uma parcela potente dos movimentos sociais e acumulam uma trajetória consolidada nos territórios, acolhendo mulheres vítimas de violência, orientando sobre direitos e construindo caminhos de acesso à justiça. Atuam nas comunidades como instrumento de transformação social, resistência e fortalecimento coletivo.

Discutir o racismo como estrutura de poder é compreender que a violência não acontece de forma isolada. Ela possui raízes históricas e sociais que atingem, de maneira mais cruel, a população negra e indígena, especialmente as mulheres. Quando olhamos para a realidade por meio da interseccionalidade — considerando raça, gênero e classe — entendemos que muitas violências são sustentadas pela exclusão, pela ausência de políticas públicas efetivas e pela negligência das instituições.

As mulheres negras seguem sendo as maiores vítimas da violência, da pobreza e da invisibilidade social. As mulheres indígenas vivem processos constantes de apagamento, pois a ausência de dados e a subnotificação frequentemente as deixam fora das estatísticas oficiais, reflexo da falta de representatividade nos espaços de poder e da ausência de compromisso do poder público com mudanças estruturais.

Nesse contexto, o trabalho das Promotoras Legais Populares se torna essencial, pois promove a conscientização da comunidade, garantindo informação para o acesso à justiça e mantendo o acolhimento como base para a restauração da dignidade. São mulheres que transformam escuta em ação e solidariedade em rede de apoio.

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A formação também será um espaço de troca de experiências. Quero contribuir, enquanto conferencista de Promoção da Igualdade Racial e atuante no enfrentamento de todas as formas de violência contra a mulher, fortalecendo diálogos que ampliem a consciência social e política sobre o racismo estrutural.

Reconhecer a força histórica dos movimentos sociais é entender que muitos direitos só avançaram porque houve organização, resistência e mobilização popular. Por isso, seguimos unificando forças no combate às injustiças, assumindo uma postura crítica e antirracista, paralisando as múltiplas violências que ainda tentam nos silenciar.

Porque mulheres organizadas transformam territórios, rompem estruturas e constroem caminhos de dignidade coletiva. Faça parte deste movimento e acompanhe as ações das Promotoras Legais Populares: @plpjundiai.(Foto: redes sociais)

ROSEMARY DA SILVA

Conferencista Nacional na Promoção  de  Políticas Públicas Étnico-Raciais. Formada em Direito pela Unianchieta, atua na Educação Infantil com o Projeto Igualdade Racial Nas Escolas. Escritora premiada na categoria  literatura infantil com o livro “Os Olhos Azuis Do Menino de Bantu”. Acompanhe seu trabalho pelo Instagram @rosemaryda96.

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