Falamos recentemente sobre o caminhar da onça parda, demonstrando como o avanço urbano, a especulação imobiliária, afeta esta espécie. Falamos sobre o aumento no avistamento de onças pardas, tanto em Jundiaí, como no Estado, em regiões próximas. Falamos recentemente também, sobre a Associação Mata Ciliar e como está o andamento do processo judicial que a empresa VOA-SP ingressou contra a instituição. Além disso, falamos sobre desenvolvimento, a quem este tão aclamado processo atinge, sobre especulação imobiliária, privatização de parques, saúde mental e tudo mais. Agora, como estes assuntos se associam para quem trabalha no território, com pé no chão, pensando da perspectiva socioambiental? Quais são as conexões entre eles?
Nós pensamos as relações dos animais humanos com os animais não humanos, mas enquanto a saída for uma corrida para amaciar a situação, ou para, novamente, jogar a cidade sobre a floresta, estaremos, no máximo, adiando problemas futuros. De nada vale pensar em um parque turístico, no Morro da Baleia, por exemplo, se não for pensado que lá é morada de diversos animais não humanos, árvores, plantas, pedras, rochas, nascentes e rios. E que, sim, devemos entender essa convivência, nos inserindo na biodiversidade…e talvez aí que esteja o ponto, não sendo sobre nossas formas de viver estarem presentes na Serra do Japi ou no Morro da Baleia, mas, e puxando quem caminhou ali antes da gente, a própria floresta nos ensine seus meios e modos de viver.
Uma inversão lógica, que parece meio bobinha, mas que é o entendimento de que não adianta a gente fazer um Parque, com nome bonito, dizendo sobre esportes e lazer, encher de ação humana o Morro da Baleia e isso afugentar as onças. Novamente a operação de roubar seu refúgio tá colocada. É preciso pensar a aliança e a conexão na proteção sociobiológica, dos territórios dos animais não humanos, dos rios que brotam da terra e alimentam a floresta que se ergue em cima, das sombras, dos alimentos e de outra relação possível nessa nossa interação. Conexões. Confluência. Coexistência. Os povos originários ensinam, sejam Afrodiaspóricos, sejam indígenas de Abya Yala, é possível coexistir, se relacionar, mas sem dominar, sem colonizar.
LEIA OUTRO ARTIGO DE JULIANA OLIVEIRA CLICANDO AQUI
Como nos ensina Nego Bispo, quilombola e vivente desta terra, que em 2023 encantou e deixou este plano, em seu livro “A Terra Dá, A Terra Quer”, na página 2: “Quando completei 10 anos, comecei a adestrar bois. Foi assim que aprendi que adestrar e colonizar são a mesma coisa. Tanto o adestrador quando o colonizador começam por desterritorializar o ente atacado quebrando-lhe a identidade, tirando-o de sua cosmologia, distanciando-o de seus sagrados, impondo-lhe novos modos de vida e colocando-lhe outro nome. O processo de denominação é uma tentativa de apagamento de uma memória para que outra possa ser composta.”
É preciso, antes de tudo, e como o Coletivo Japy defende, não só em palavras, mas também na presença, pensar a expansão da Floresta, com pesquisa, com a participação da população, não só jundiaiense, mas também outras e outros defensores de territórios, em sua caminhada histórica, pautando a presença da fauna e da flora e seus respectivos direitos. Vocês estão acompanhando as conexões? O nosso caminhar? Sigamos atentos, despertos. Daqui seguirei expondo e buscando mostrar esse caminho que fazemos para vocês.

JULIANA OLIVEIRA
É advogada, orientadora social, alfabetizadora popular e presidente do Coletivo Japy, movimento social fundado em 2021 para atuação no território nas pautas socioambientais.
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES











