Dados divulgados recentemente pelo portal G1, com base em informações do Ministério da Previdência Social, apontam que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos no Brasil. O adoecimento mental está nos noticiários, nos corredores das empresas, nas conversas entre amigos, nos cafés, dentro das casas e, principalmente, na rotina de milhares de profissionais que seguem tentando dar conta de uma pressão cada vez mais constante.
O burnout deixou de ser exceção, virou sintoma de um modelo de trabalho que, em muitos contextos, ultrapassou limites saudáveis há bastante tempo: metas inalcançáveis, pressão contínua, ambientes emocionalmente inseguros, lideranças despreparadas, jornadas exaustivas e culturas organizacionais que ainda confundem exaustão com comprometimento.
Durante anos, o mercado romantizou sinais claros de adoecimento: a agenda cheia virou símbolo de status, responder mensagens fora do expediente passou a ser visto como dedicação e o cansaço virou prova de performance, mas a conta começou a chegar, agora ela aparece nos afastamentos e nos tribunais.
Recentemente, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região condenou o Banco Itaú ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais, além de pensão vitalícia, a uma funcionária diagnosticada com burnout. A decisão reconheceu a relação entre metas abusivas, assédio moral, pressão excessiva e adoecimento mental. O caso representa um marco importante porque deixa claro que saúde mental deixou de ser apenas pauta de bem-estar corporativo e passou a ser responsabilidade organizacional, bem como jurídica.
A atualização da NR-1, que passa a exigir oficialmente o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho a partir do próximo dia 26, reforça exatamente essa mudança de cenário. O mercado já mudou, a legislação avançou, a Justiça começou a responsabilizar empresas e os afastamentos por burnout cresceram de forma alarmante. Muitas organizações ainda seguem sem uma preparação estruturada para a gestão dos riscos psicossociais.
Na prática, as empresas precisarão identificar, avaliar e agir sobre fatores que impactam diretamente a saúde emocional dos trabalhadores, como: excesso de cobrança; jornadas exaustivas; assédio moral; pressão contínua; conflitos de liderança; insegurança psicológica; sobrecarga mental e ambientes tóxicos.
E existe um ponto importante que muitas organizações ainda não compreenderam: não será suficiente criar documentos genéricos apenas para cumprir exigências legais. O próprio Ministério do Trabalho e Emprego publicou recentemente um guia oficial sobre a NR-1 deixando claro o que não funciona:
- questionários isolados não resolvem;
- ações pontuais não configuram gestão;
- culpar exclusivamente o colaborador não elimina o risco psicossocial.
A fiscalização deverá observar coerência entre aquilo que a empresa registra, comunica e realmente prática no dia a dia. Os auditores deverão analisar:
- inventários de riscos bem definidos;
- planos de ação com responsáveis e prazos;
- participação efetiva dos trabalhadores;
- coerência entre os riscos identificados e as medidas adotadas;
- e principalmente a realidade concreta do ambiente de trabalho, não apenas o discurso institucional.
Isso muda completamente o papel da liderança e da gestão de pessoas dentro das organizações, porque saúde mental não se resolve com campanhas bonitas, frases motivacionais ou ações isoladas.
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A saúde mental é construída no dia a dia até virar cultura organizacional, na forma como metas são conduzidas, na segurança psicológica das equipes, na qualidade das relações, na capacidade das lideranças de gerar resultado sem destruir emocionalmente as pessoas no processo.
Empresas emocionalmente adoecidas dificilmente conseguirão sustentar crescimento saudável no longo prazo, afinal, equipes exaustas não inovam e talentos emocionalmente sobrecarregados não permanecem.
As organizações que ignorarem essa realidade podem até continuar crescendo por um tempo, mas cada vez mais terão dificuldade em sustentar pessoas, cultura, reputação e futuro.

DANY MORAES
Consultora de Projetos de Recursos Humanos e Educação Corporativa. Atua na área de Gente & Gestão há 20 anos, com especializações em Felicidade e Qualidade de Vida no Trabalho, Inteligência Emocional e Líder Coach. Contatos: E-mail: [email protected]. Instagram: @soudanymoraes. LinkedIn: daniela-moraes-marques.WhatsApp: 11 982659384. Acesse também: @sejaexpandente(Foto ao lado: Tris Nogueira – Foto principal: AI25.Studio AI Generative/Pexels)
SAIBA MAIS SOBRE GENTE & GESTÃO
Gente e Gestão é uma expressão que se refere ao conjunto de práticas, políticas e processos relacionados à gestão de pessoas dentro de uma organização, engloba todas as atividades e estratégias voltadas para o desenvolvimento, motivação, engajamento e bem-estar dos colaboradores de uma empresa.
Isso inclui recrutamento, seleção, treinamento, desenvolvimento de carreira, avaliação de desempenho, remuneração, benefícios, comunicação interna, cultura organizacional, entre outros aspectos que impactam diretamente o capital humano e o ambiente de trabalho.
A expressão Gente e Gestão enfatiza a importância das pessoas como um dos principais ativos de uma organização e reconhece que uma gestão eficaz dos recursos humanos é fundamental para o sucesso e sustentabilidade do negócio.
E também ressalta a necessidade de uma abordagem humanizada e centrada nas pessoas na condução das atividades relacionadas à gestão de talentos dentro da empresa e a produtividade sustentável.
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