Difícil de assumir. Mas, MEU VÍCIO é o celular…

celular

A crônica da semana passada me trouxe uma série de contatos, de pais, professores, amigos, enfim, pessoas que se identificaram com o tema e com o teor da pesquisa apresentada. Não me pautei em opinião pessoal mas em dados acadêmicos, que possibilitassem uma compreensão de mais larga escala e que pudesse ser discutido, sem ser refutado, diante da constatação na coleta dos dados. Não era um tema alheio a tudo e a todos, mas algo que vivemos e incontestavelmente percebemos em nosso meio social; fica difícil de assumir nosso vício com o celular…

Observe também se você substitui atividades, se você deixa de fazer algo para ficar mais atento ao celular, isso pode acontecer quando você passa tempo com a família, trabalha, dirige, pratica esportes ou sai de casa. Você está com os demais, mas não saiu do cibermundo. Verifique se o celular faz você se evadir, mantendo-o junto aos seus fisicamente, porém, ao pegar o celular para ver uma coisa, esquece do tempo e passa uma hora sem que você perceba. Com este exemplo é possível uma autoavaliação.

Percebemos como os jovens se comunicam por meio das telas de forma rápida, fácil e confortável, mas cara a cara eles são arredios e distantes, não têm ferramentas sociais suficientes para sentir empatia, olhar ou abraçar. Mas o pior é acima de tudo a dependência: como o humor das pessoas muda para pior quando ficam sem Facebook ou WhatsApp. É um problema, porque a dependência é o oposto da liberdade. Consequentemente…

Quando dissemos, anteriormente, que Dr. Masip trabalha numa clínica de desintoxicação, falamos sobre um tratamento de reeducação sobre o bom uso das redes e das telas. Trata-se de uma tarefa muito complicada, facilmente de ser entendida quando pensamos no vício em heroína, cocaína ou maconha, pois partimos do pressuposto que aquilo é socialmente mal visto; enquanto que, com as tecnologias é mais difícil por não se tratar de algo a se deixar de usá-las.

Assim, o que se tem a fazer é reeducar para que os meios de comunicações tecnológicos sejam melhor utilizados, tarefa difícil, em especial, porque todo mundo ao seu redor também está usando. Nota-se que, no ambiente familiar, a proposta fica ainda mais difícil porque os pais, totalmente imersos no cyber ambiente, não querem que seus filhos se sintam diferentes e excluídos por seus pares, agora e no futuro.

Atentemos para esse falso pudor ou falso medo dos pais, que numa linguagem empática de carinho e amor pregam contra a tecnologia, enquanto eles próprios não se desprendem da telinha. Pensar ou dizer que os filhos não terão amigos caso não tenham telefone e redes sociais é minimamente hilário ou mentiroso: crianças podem ou não ter amigos independente do telefone. Este fato tem mais a ver com à personalidade e ao ambiente familiar e escolar.

Optamos por generalizar: se todas as crianças ou adolescentes têm telefone, as nossas também precisam ter. Entretanto, pesquisas apontam que uma criança, com um smartphone antes dos 16 anos, terá mais desvantagens do que vantagens, já que, sem formação adequada, sem saber usá-lo da forma correta, o efeito nocivo de um celular terá mais peso do que o lado positivo deste.

O smartphone, é sobretudo por causa das redes sociais, e isso nos remete a questionar o que as redes sociais oferecem para os nossos jovens? Qual o valor das curtidas, dos matches? Lembremos que em nossas redes sociais nem sempre mostramos nossa versão real, mas a fantasia daquilo que gostaríamos de mostrar.

Masip informa que, quanto mais o eu virtual se afasta do eu real, mais frustração é gerada, porque nos distanciamos de nossa essência e passamos a criar um mundo imaginário, levando a uma frustração que é muito próxima da dependência e do vício. É importante educar, sobretudo os mais jovens, para que não seja preciso sempre mostrar o que não somos ou, ainda, o que gostaríamos de ser para sermos aceitos pelos nossos pares.

A proposta é trabalhar mais a autoestima dos nossos jovens, hoje um tanto em baixa, usando a tecnologia com reservas, sem que seu uso tome a maior parte do tempo do dia útil deles. Como estão as propostas atuais, estamos deixando a tecnologia avançar livremente, e as consequências são evidentes: desencontros reais, vidas fictícias, amigos distanciados, diálogos inócuos, discursos sem fundamentos e escrita frágil e débil.

Com isso, parece-nos que a sensação é de que o mundo está se tornando ainda mais interconectado. Isso não é de todo mau, visto que podemos estar em vários ambientes num único espaço de tempo, uma vez que a virtualidade nos permite tal façanha. Podemos frequentar várias reuniões ou estar em bate papo com inúmeras pessoas de todo o mundo. Porém, isso não pode se estender pelo dia todo, mantendo na virtualidade por mais tempo do que na realidade.

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Há que se ter regras bem definidas e espaços bem delineados. Manter a família em um espaço de educação para este uso significa ter pais que atentem para este problema, que se avoluma. Podemos pensar em reservar alguns momentos para o distanciamento: refeições, encontros com amigos, encontros amorosos ou no momento de dormir, por exemplo. Isso nos remete a lembrar que a outra pessoa é mais importante do que o celular, num julgamento bem raso e ingênuo. No mínimo respeitoso.

Os elementos nocivos ou viciantes aparecem no interior de nossas casas, sem que demos conta do distanciamento que estamos criando e dos enfraquecimentos afetivos que estabelecemos, quando passamos horas olhando para a telinha, jogando ou trabalhando, respondendo ao próximo que nos acompanha com monossilábicos ou grunhidos. Esta distância pode ser uma das fases terminais das relações humanas. Vale observar.(Foto: febract.org.br)

AFONSO ANTÔNIO MACHADO 

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduado em Psicologia, editor chefe do Brazilian Journal of Sport

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