Poucos automóveis japoneses representam tão bem a combinação entre inovação, elegância e prazer de dirigir quanto o Honda Prelude. O cupê nasceu em 1978 e atravessou cinco gerações como uma espécie de laboratório sobre rodas. Ao longo dessa trajetória, apresentou recursos então pouco comuns, como freios ABS, direção nas quatro rodas e distribuição ativa de torque entre as rodas dianteiras.
Senna e o Prelude – O modelo também construiu uma ligação especial com o público brasileiro. Em 1991, Ayrton Senna estrelou o comercial produzido para a televisão japonesa durante o lançamento da quarta geração. As imagens agora ganham novo significado. Elas relembram uma época em que a Honda associava sua engenharia ao talento e à sensibilidade de um dos maiores pilotos da história.
Depois de 24 anos fora de linha, o Prelude chega à sexta geração e volta oficialmente ao Brasil. A Honda iniciou as vendas no último dia 27 , durante o Festival Interlagos. O carro custa R$ 380 mil e será oferecido em versão única, nas cores preta, vermelha e branca.

Reinterpretação de um clássico – O novo Prelude não é apenas um exercício de nostalgia. A Honda transformou o cupê em sua nova interpretação do esportivo para a era da eletrificação. O conjunto híbrido combina um motor 2.0 a gasolina, de ciclo Atkinson e injeção direta, com dois motores elétricos. O sistema desenvolve 203 cv e entrega 32,1 kgfm de torque.

O S+ Shift representa o principal diferencial. O sistema simula trocas de marcha, reduções e até o efeito do punta-tacco. Ele também altera a sonoridade, a resposta do conjunto e as informações exibidas no painel. Não existe um câmbio esportivo convencional escondido sob a carroceria. A eletrônica cria essas sensações para aproximar o motorista da condução de um cupê tradicional.

O Prelude também não é um Civic Type R com outra carroceria. Ele aproveita, porém, componentes importantes do esportivo. A lista inclui suspensão dianteira de duplo eixo, conjunto multi-link traseiro, amortecedores adaptativos e freios Brembo dianteiros com pinças de quatro pistões e discos de 350 mm. Os modos Comfort, GT, Sport e Individual modificam motor, direção, suspensão, painel e som.

A carroceria baixa e larga preserva a identidade de um gran turismo. O teto de dupla curvatura, as maçanetas embutidas, as rodas de 19 polegadas e a traseira limpa formam um desenho elegante, sem excessos. A configuração 2+2 e o banco traseiro rebatível também acrescentam alguma praticidade ao cupê.

Claro e como era de se esperar, o preço limita naturalmente o número de compradores. Ainda assim, a chegada oficial representa uma oportunidade rara para os fãs brasileiros do modelo. O Prelude retorna como sempre deveria: diferente, tecnicamente interessante e desenvolvido para quem ainda encontra prazer no simples ato de dirigir.

JOAQUIM RIMOLI
É editor do AutoMotori 2026(@auto.motori)
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