PONTO FINAL. Ou seriam reticências? Mas o caos continua…

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Encerrar um ciclo escrevendo parece quase uma ironia profissional — afinal, jornalista raramente termina uma história sem já estar pensando na próxima. Mas hoje, é dia de olhar pelo retrovisor, com aquele misto de bastidor, café requentado e prazos apertados que sempre deram o tempero dessas crônicas que agora ganham um ponto final.

Desde o ano passado, essas linhas foram ganhando vida entre uma pauta e outra, muitas vezes nascidas daquele famoso “rapidinho” que todo jornalista sabe que nunca é tão rápido assim. Teve texto que surgiu de uma observação despretensiosa, outros vieram quase como terapia — e alguns, vamos admitir, escaparam no apagar das luzes, segundos antes do prazo, com o coração mais acelerado que fechamento de edição.

Se existe um fio condutor entre todas essas crônicas, ele certamente é o bastidor. Porque, no fim das contas, a vida de jornalista é feita disso: histórias que acontecem antes da história oficial. Aquela conversa de corredor, o detalhe que ninguém viu, o improviso que salvou o dia — ou quase complicou tudo. É ali que mora a graça, e, felizmente, também moraram muitos desses textos.

E como toda boa produção jornalística, nada disso teria ido ao ar sem aquele olhar atento — e paciente — de quem segura a onda do outro lado. Fica aqui meu agradecimento ao editor e amigo Marco Sapia, que não só abriu espaço para essas crônicas existirem, mas também foi personagem de algumas, ajudou a lapidar ideias, ajustar pontos e rumos e, em alguns casos, domar excessos (porque sim, eu me empolgo).

Aliás, revisitar esses textos é quase como reler versões de mim mesmo: tem o mais reflexivo, o mais irônico, o mais apressado, o mais inspirado… e provavelmente o que escreveu com sono também. Todos passaram por aqui, com cortes, ajustes, vírgulas reposicionadas e aquele toque final que transforma um rascunho em algo publicável — ou, pelo menos, publicável com dignidade.

Mas se tem algo que nunca faltou foi humor. Porque sem ele, convenhamos, não dá. Jornalismo já é sério demais por natureza — as crônicas vieram justamente para lembrar que, por trás da pauta, existe gente. Gente que erra, que improvisa, que ri de si mesma e que, de vez em quando, transforma o caos em texto.

Encerrar esse ciclo não é um ponto final dramático — está mais para aquelas reticências bem colocadas. Porque as histórias continuam acontecendo, bastidores seguem rendendo e o olhar curioso dificilmente entra em férias.

Se existe uma forma justa de resumir essa jornada, ela passa, inevitavelmente, por esses pequenos grandes episódios que viraram crônica — e, agora, memória com direito a reprise e risada garantida:

1. Fusca da imprensa – Redação raiz onde sempre “cabia mais um”… inclusive história boa.

2. RG do Latorraca – Quando a criatividade jornalística quase virou caso de polícia.

3. Renata e outras encarnações – Memória bugada, mas o constrangimento… esse nunca falha.

4. Denise (versão alegria) – Improviso, gargalhada e caos controlado no meio da pauta.

5. Denise (versão vergonha alheia) – Política, camelô e uma língua roxa inesquecível.

6. Luiz Lessi – Aula de gramática com método pouco ortodoxo: via cinzeiro.

7. Emerson Leite (Mimi) – Entre um “miauu” e outro, a saudade virou manchete.

8. Verdade ampliada – Apurar nos anos 90 era quase esporte radical.

9. Equívoco inocente – Quando o erro vem com boas intenções… e rende história.

10. Mais um equívoco – Porque um constrangimento nunca vem sozinho.

11. Cólera e pochete – Jornalismo, epidemia e um tombo digno de replay.

12. Benevides e o futuro – Profecia otimista que, felizmente, não errou feio.

13. Refogado e ponto – A mentira até tenta correr… mas tropeça no caminho.

14. Cynthia – Boa pauta com bônus: constrangimento ao vivo e sem corte.

16. Missão Furlan – Nerdice, rock e física aplicados ao jornalismo raiz.

17. Rui Carlos – Humor estrondoso, quase tão impactante quanto um obuseiro.

18. Dia dos Jornalistas – Onde tudo começou: gibis, broncas e formação raiz.

19. Do caos ao brigadeiro – Mudou o ritmo… mas o caos só ficou mais sofisticado.

No fim, essa retrospectiva prova uma coisa: mais do que notícias, foram histórias — daquelas que começam no improviso, passam pelo susto e terminam, quase sempre, em riso. E convenhamos… que sorte a nossa.

Por enquanto, fica o registro: foi bom, foi intenso, foi corrido — e, acima de tudo, foi divertido. Obrigado Marquinho Sapia. E isso, no fim, já rende uma boa história.

MIGUEL ÉDI GOMES

É jundiaiense, tem 54 anos. É formado em jornalismo pela UniFaccamp e atualmente faz parte da equipe da Assessoria de Imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

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