O dia 1º de abril chacoalhou a política local. Muita coisa que era esperada, aconteceu. Outras que estavam encruadas, finalmente andaram. E o que estava praticamente esquecido, ressurgiu em forma de publicação na Imprensa Oficial. O ex-prefeito Luiz Fernando Machado fez o que prometera quando ainda estava no 8º andar do Paço Municipal: é pré-candidato a deputado federal. O PSD confirmou que o vice-prefeito Ricardo Benassi – que vinha cozinhando a pré-candidatura em água morna -, é o nome do partido. A primeira-dama Ellen Camila, que já tinha sido apontada como um ‘bom nome’ pelo marido, o prefeito Gustavo Martinelli, voltou ao jogo com o aviso de afastamento dela da presidência do Fundo Social de Solidariedade(Funss). Mas existem outros pré-candidatos: os vereadores Romildo Antônio, Dika Xique Xique e Leandro Basson. O ex-prefeito Pedro Bigardi também está na briga, juntamente com o historiador Felipe Pinheiro. O vereador Cristiano Lopes define hoje o futuro político. Confira:

LUIZ FERNANDO MACHADO – que adiantou ao Jundiaí Agora a pré-candidatura deste ano ainda em 2024, quando era prefeito de Jundiaí – deixou a Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias (SEDP) da Prefeitura de São Paulo no dia 1º deste mês. Ele assumiu o cargo no ano passado. “Encerro esse ciclo com a certeza do dever cumprido”, afirmou. Na capital, Luiz Fernando trabalhou na modernização de serviços públicos através de parcerias estratégicas. Ajudou a viabilizar cinco novos CEUs e impulsionou o Centro TEA, referência no cuidado a pessoas com autismo. Tirou do papel reformas em terminais de ônibus e acompanhou a revitalização de espaços históricos, como o Pacaembu e o Mercadão. O prefeito Ricardo Nunes(ambos na foto) elogiou a trajetória: “Luiz Fernando teve um papel relevante em projetos estratégicos. Agradeço pelo trabalho e desejo sucesso nos próximos desafios”. Para a base eleitoral de Machado – Jundiaí e região – a passagem pela Prefeitura de São Paulo pouco representa. Aliás, o mesmo se aplica ao próprio eleitorado da capital, já que o cargo de secretário executivo é técnico e, portanto, tem pouca visibilidade. Além disso, Luiz Fernando ficou apenas um ano no cargo, pouco tempo para ganhar o eleitorado da cidade de São Paulo. Mas, o ex-prefeito quer uma cadeira na Câmara dos Deputados. E é óbvio que não buscará votos apenas na Região Metropolitana de Jundiaí. Aliás, Machado já foi deputado federal entre 2011 e 2015. Naquela ocasião, ele teve 124.737 votos. Para se eleger neste ano será preciso fazer várias contas envolvendo o sistema proporcional e o quociente eleitoral. A expectativa é de que os candidatos precisarão ter entre 80 mil e 200 mil votos. A última eleição disputada por Machado foi em 2020, para a Prefeitura. Naquela ocasião ele obteve 134.793 votos e foi eleito no primeiro turno.

RICARDO BENASSI, o vice-prefeito de Jundiaí, levou mais de um ano para definir a pré-candidatura. No início, ele negava. Em agosto, quando deixou de ser secretário de Governo e Finanças da administração Gustavo Martinelli, as especulações aumentaram. A confirmação só veio neste dia 1º. Mas não do jeito que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, queria. Kassab(ambos na foto) acredita que que Ricardo teria potencial para conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. A família do vice, contudo, era contra a pré-candidatura e ele ficou no meio termo: irá disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo(Alesp). Ele só irá se manifestar sobre a pré-candidatura depois do próximo dia 6. Contudo, sabe-se que o anúncio feito na última quarta-feira vem mobilizando os apoiadores do vice-prefeito. Em 2016, Benassi disputou a eleição para a Prefeitura de Jundiaí e teve 43.861 votos. Por 10 mil votos não chegou ao segundo turno. Em 2024, Ricardo juntou-se a Gustavo Martinelli(União Brasil) na eleição municipal. No primeiro turno tiveram 93.921 votos(43,34%). O primeiro lugar ficou com José Antônio Parimoschi, candidato do então prefeito Luiz Fernando Machado(ambos do PL), que obteve 104.180 votos. No segundo turno, a virada: 125.712 votos contra 87.832 votos de Parimoschi. Não existem pesquisas que informem quantos votos Benassi transferiu para Martinelli nestas eleições. Para se eleger deputado estadual, Ricardo precisará conseguir entre 40 mil e 120 mil votos.

ELLEN CAMILA E EDICARLOS – Tudo andava calmo no União Brasil de Jundiaí até a última quarta-feira(1º). O vereador Edicarlos Vieira já havia anunciado a pré-candidatura a deputado estadual. Há quem diga que o outro parlamentar do partido, Juninho Adilson, tentaria a Câmara dos Deputados. Mas aí, a Imprensa Oficial trouxe o afastamento da primeira-dama, Ellen Camila, da presidência do Fundo Social de Solidariedade(Funss). Fontes ligadas ao União Brasil explicam que um dos filhos dela teria quebrado o braço e a primeira-dama pediu um tempo para cuidar da criança. Contudo, o marido, Gustavo Martinelli, já havia dito em entrevista que Ellen seria um bom nome para as eleições deste ano. Como até o momento ninguém desmentiu a possibilidade de pré-candidatura, as especulações proliferam. Se Edicarlos mantiver a pré-candidatura a estadual, restará a Ellen Camila buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Neste caso, ela enfrentará o ex-prefeito Luiz Fernando Machado nas urnas. Agora, se o vereador mudar a pré-candidatura visando Brasília, Ellen poderá ser pré-candidata à Assembleia Legislativa. Neste caso, a disputa de votos será com o vice-prefeito, Ricardo Benassi. A primeira-dama nunca disputou uma eleição. Em 2022, Edicarlos foi candidato a deputado federal pelo Progressistas. Teve 12.846 votos. Já em 2024, nas eleições municipais, ele teve 6.959 votos, sendo o terceiro colocado. Este imbróglio tem um ingrediente a mais: a federação União Progressista. Aí entra o vereador Cristiano Lopes(veja abaixo).

PEDRO BIGARDI – O ex-prefeito é pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB desde agosto do ano passado. Aliás, Pedro já ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de 2010 a 2012. Na ocasião, teve 67.758 votos. Depois, foi eleito prefeito de Jundiaí no segundo turno, com 139.614 votos. A partir daí, Bigardi vem acumulando fracassos. Em 2016, tentando a reeleição, teve 82.044 votos no segundo turno contra 116.019 votos de Luiz Fernando Machado. Em 2018, o ex-prefeito tentou voltar à Alesp. Não foi eleito. Em 2020 disputou a Prefeitura novamente. Não foi eleito. Em 2022 candidatou-se novamente a deputado estadual. Não foi eleito. Dois anos depois, disputando uma cadeira da Câmara Municipal de Jundiaí, conseguiu apenas 3.858 votos. Não foi eleito de novo.

LEANDRO BASSON E DIKA XIQUE XIQUE – O Podemos de Jundiaí tem dois pré-candidatos a deputado estadual. Os dois são vereadores: Leandro Basson e Dika Xique Xique. Nas eleições de 2024 para a Câmara, Basson teve 4.925 votos. Ele foi eleito pelo PL e tinha acordo com o partido: se surgisse uma vaga, disputaria as eleições. A vaga não apareceu e Leandro, que é investigador da Polícia Civil, mudou de legenda. Dika teve 4.715 votos há dois anos.

ANTONIO CARLOS ALBINO – O ex-vereador pelo PL, agora o braço direito do deputado federal do Novo, Ricardo Salles, também é pré-candidato. Ele vai brigar por uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em 2016, disputando uma vaga na Câmara Municipal de Jundiaí, ele teve 2.345 votos. Nas eleições de 2020, Albino teve 7.345 votos. Foi o vereador mais votado. Em 2024, foi o vice de José Antônio Parimoschi. No primeiro turno, eles tiveram 104.180 votos. No segundo, 87.832. Não é possível saber quantos votos Albino transferiu para a chapa. De acordo com o ex-vereador, o nome do pré-candidato a deputado estadual ainda não foi definido pelo Novo.

FELIPE PINHEIRO – Com a possível saída da ministra Marina Silva da Rede Sustentabilidade, o professor Felipe Pinheiro será pré-candidato a deputado federal pelo partido em Jundiaí. A princípio, Marina disputaria uma cadeira na Câmara dos Deputados e Felipe, uma vaga na Alesp. Marina já deixou o Ministério do Meio Ambiente. Agora, ela definirá se continuará na Rede ou irá para outro partido como o PSB ou PT para disputar as próximas eleição, podendo buscar uma vaga no Senado por São Paulo. “Eu continuo na Rede”, afirma Pinheiro, que é porta-voz(o que equivale ao cargo de presidente) da legenda local. Felipe Pinheiro tem 36 anos, filiou-se à Rede em 2023. No ano seguinte, disputou o cargo de vice-prefeito, terminando a eleição em terceiro lugar. A chapa dele, encabeçada pelo professor Higor Codarin(PSOL), teve 10.677 votos.

ROMILDO ANTÔNIO – No final do ano passado, o vereador afirmou que tinha convite para voltar ao PDT e ser pré-candidato a deputado federal. Na última sessão da Câmara(31), vestindo camisa vermelha, Romildo avisou que tinha sido expulso do PSDB e já tinha assinado com o partido que um dia foi liderado por Leonel Brizola. O presidente do PSDB, Ilcemar Fonseca, explicou que Romildo Antônio “nunca esteve à vontade com os tucanos e não cumpriu alguns deveres definidos. Em alguns casos, inclusive, ele atuou de forma contrária ao entendimento do partido. Por isso decidimos pela saída dele”. O presidente do PDT local, o ex-vereador Gerson Sartori, disse que a saída do parlamentar do PSDB deve-se a divergências ideológicas. “O Romildo tem uma atuação na defesa dos programas do governo Lula e os tucanos defendem um projeto liberal para o mercado. Ele voltou ao PDT pelas bandeiras do partido: a defesa de pautas ligadas ao trabalhismo”. Nas eleições de 2024, o parlamentar teve 3.096 votos.

CRISTIANO LOPES – O vereador do PP(Partido Progressista) definirá hoje será pré-candidato a deputado federal. Ele explicou que neste domingo(5), acontecerá reunião da federação formada pelo União Brasil e Progressistas. “Tive convite para disputar. Depois do encontro com uma liderança importante da federação junto com meu grupo apoiador, saberemos se participarei da campanha”, explicou. Então, se o vereador decidir brigar pela Câmara dos Deputados, na teoria, a primeira-dama Ellen Camilla perderia essa vaga. Em 2024, nas eleições municipais, Cristiano teve 5.392 votos e foi eleito vereador pelo PP. A votação foi 102% maior do que a eleição anterior.(Foto principal: Gemini)
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