ULYSSES Guimarães, o ‘Senhor Diretas’, palestrou em Jundiaí

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Sim, houve um tempo em que os homens públicos discutiam questões sérias do país. Hoje até ocorrem debates importantes, mas também assistimos a discussões estéreis que só alimentam o ódio. Políticos sempre mentiram — a diferença é que, naqueles anos, quando desmascarados, não recorriam a ‘narrativas’ para justificar o injustificável. Talvez a figura que melhor personifique o político de postura, imune a bravatas, seja a do deputado Ulysses Guimarães, que nos anos 1980 palestrou na Faculdade Padre Anchieta, em Jundiaí.

Naquele dia, Ulysses foi acompanhado por pesos pesados da política local: André Benassi, que foi deputado estadual, federal e também prefeito de Jundiaí duas vezes; os vereadores Ariovaldo Alves e Pedro Beagim, que chegaram a ser presidentes da Câmara e o deputado Randal Juliano Garcia(foto principal).

O tema da palestra se perdeu com os anos. Porém, Ulysses Guimarães não viria a Jundiaí para falar sobre as boçalidades que permeiam os discursos de alguns políticos da atualidade. Deve ter explanado sobre a importância das eleições diretasa para um presidente civil, democracia e avanços para os brasileiros.

Ulysses Silveira Guimarães (1916–1992) era chamado de ‘Senhor Diretas’. Ele foi uma das figuras centrais da política brasileira no século passado. Durante o regime militar, Ulysses assumiu a presidência do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), a oposição consentida da época. Era contrário à ditadura e se tornou símbolo vivo da resistência democrática no país.

A trajetória de Ulysses atingiu o ponto culminante na década de 1980:

  • As Diretas Já (1983–1984): Percorreu o país ao lado de lideranças de diversos espectros políticos ao marchar pelas ruas exigindo o retorno do voto direto para presidente. Ganhou do povo o carinhoso apelido de “Senhor Diretas”.
  • A Assembleia Constituinte (1987–1988): Como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, liderou os trabalhos de elaboração da Carta Magna que rege o Brasil até hoje. Ao promulgá-la, em 5 de outubro de 1988, proferiu o histórico discurso de repúdio à ditadura, erguendo o texto que batizou de “Constituição Cidadã”.

O político morreu tragicamente em 12 de outubro de 1992, quando o helicóptero em que viajava caiu no mar em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O corpo de Ulysses nunca foi encontrado, mas sua marca na história do país permanece como o divisor de águas entre o autoritarismo e o Estado Democrático de Direito.

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