VIVER é sinal de resistência

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Entendo que viver seja um sinal de resistência, de modo que vamos nos equilibrando entre a escassez daquilo que precisamos (e sempre precisamos mais do que nos é ofertado) e a dureza do que somos obrigados a receber, sem reclamar. Tal resistência nos leva a viver lutando, sem desprezar nada e sem esperar demais: apenas o necessário.

Entretanto, onde quer que estejamos e como quer que sejamos, florescemos de modo a dar continuidade da melhor maneira possível, ao caminho iniciado lá num passado que já não existe mais: ninguém quer saber de seguir para a tristeza ou dor. Todos querem seguir pela trilha da esperança e da certeza. Da concretude.

Observo que uma maioria esmagadora de pessoas segue apegado à sua fé. Fixa suas garras na coragem e busca direcionamento em seus devaneios ou em suas loucuras existenciais, renovadas de tempos em tempos, à medida que a Vida vai se delineando por entre atalhos e avenidas, nem sempre acolhedores, mas reais e fortes, como deve ser. Isto é viver, que é diferente de sonhar.

Ao nos renovarmos, vamos alimentando-nos de esperanças e vamos empreendendo em novos recomeços, nem sempre muito claros, nem sempre muito seguros, mas investimos no novo para tentar sair da mesmice ou para buscar o desafio que nos aguça a sermos aventureiros, eternos jovens desafiadores e conquistadores (proposta que parece ser a marca de nosso  DNA psicológico).

Talvez esta aventura é que nos faça resilientes e fortes, em especial pelas lutas que travamos no seu percurso; cada conquista é uma dor superada e cada triunfo tem uma carga emocional que flana do mais suave ao mais grosseiro, levando-nos do céu ao inferno, num piscar de olhos: estamos sempre pensando, sentindo e renovando. Sempre. E é este renovar que nos deixa mais fortes e melhores preparados para a próxima etapa…

Meus conhecimentos teóricos e minha experiência não permitem acreditar que somos resilientes por alguns poucos momentos de lutas e, desta maneira, estes momentos se tornem motivadores para novas investidas: acredito, sim, que vivemos constantemente em luta interna, de superação de nossos monstros, e colocamo-nos em risco, em nossa zona de conforto, provocando uma inquietação que nos moverá para renovações e transformações básicas e significativas. Somos os responsáveis pela nossa resiliência.

Já que somos senhores de nossa História e que somos os construtores de nossos caminhos, por escolhe-los e segui-los, ate onde nos convém, somos igualmente responsáveis pelos nossos trechos de dor e perdas e pelas ressignificações destes, o que nos confere uma ampliação e fortalecimento da resiliência. Verifiquemos que nossas resistências psicológicas se tornam mais robustas a cada superação.

O mais interessante é que ressignificamos o que nos faz bem e o que nos faz mal: nada melhor do que conseguir discernir cada etapa de nossa Vida. Os discernimentos são aflorados, intensificados a cada acontecendo, possibilitando que nosso autojulgamento faça a distinção e a separação do bem e do mal. A escolha sobre o que fica e o que sai é feita por nós mesmos, dependendo do nosso contexto, do nosso tempo e do nosso envolvimento com a causa; não há determinismo nem acaso. Existe, sim, uma escolha consciente.

Nossas escolhas obedecem a uma ordem lógica de benefícios e malefícios, de modo que estamos sempre aprendendo com cada situação e cada proposta de Vida. E, em cada uma delas temos acrescido os valores do contexto e do tempo que nos envolve, bem como as pessoas que compõem o momento, independente de serem marcas positivas ou negativas, todas elas, em suas combinações, serão importantes para nosso crescimento como homem e membro de uma das muitas comunidades que habitamos. 

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É notório que habitamos várias comunidades num mesmo espaço de tempo e, às vezes, no mesmo contexto: somos alunos e membros de uma equipe, ao mesmo tempo. Somos filhos e responsáveis pelos nossos pais, ao mesmo tempo, por exemplo. Este fato demonstra como nossas funções sociais dependem de nossas habilidades sociais e como podem ser cada vez mais envolventes e enriquecedoras, dependendo de como aproveitaremos cada experiência.

As habilidades sociais estão aguardando para serem ampliadas, polidas e colocadas em prática, entretanto ficamos na dependência de nossas intenções e nossas prioridades. Sempre buscando o melhor para cada um de nós e permitindo que a evolução se faça presente: somos frutos de nossos sonhos e de nossas experiências, em sua plena intensidade. Só não podemos deixar passar: Viver é melhor que sonhar. Sempre.(Foto: Dana Tentis/Pexels)

AFONSO ANTÔNIO MACHADO 

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Leciona na Faculdade de Psicologia UNIANCHIETA. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduado em Psicologia, editor chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.

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