A vida vai PIORAR

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Para quem achou que o aumento crescente da tecnologia, com plataformas, sites e aplicativos, invadindo o nosso cotidiano cada vez mais, tornaria as nossas vidas mais fáceis, a realidade e a convivência tem nos demonstrado que a tendência é de a nossa vida piorar com uma exigência muito maior de habilidades específicas que nos empurram para mais tecnologia. Estas podem ser ações absolutamente torturantes para uma significativa parcela de nossa população. Quem já tentou usar um site governamental sabe do que estou falando. Tentar fazer um reconhecimento facial é uma tarefa para poucos. Geralmente precisamos de alguma assessoria apenas para o acesso inicial, que se poderia dizer, então, da navegação. Acreditar que os sites foram projetados para serem amigáveis e passíveis de utilização por qualquer pessoa é uma verdadeira fantasia.

Muitas vezes sentimos saudades de poder conversar com uma pessoa quando ligamos para algum lugar e nos atende um robô tentando adivinhar o que é que nós queremos. Nem sempre a sua programação contempla o que se quer saber ou fazer, assim quando nos indicam para resolver um problema ou quando você só quer agendar uma consulta, e é encaminhado para um site nem sempre seu problema será resolvido ou sua consulta agendada. A nossa vida está mais difícil, pois sendo a máquina burra não há como argumentar.

Uma decorrência dos excessos da tecnologia, às quais já me referi inúmeras vezes, está na dependência que estamos desenvolvendo dos aparelhos celulares. Parece impossível viver sem eles. Chegamos a um ponto que nos remete à história de um cidadão que não encontrava o preço dos produtos nas gôndolas do super mercado e solicitou ajuda de um atendente que, prontamente explicou que os preços estavam nos respectivos QR Codes. Como o cliente ainda não conseguia ver os preços o atendente pacientemente mostrou que bastava apontar o celular para o símbolo, mas ficou estupefato ao saber que a pessoa não possuía um telefone celular. Assim, parece que quem não quer ter um celular não pode fazer quase nada na vida. Quem não sabe baixar um aplicativo não sobrevive às exigências mais simples do dia a dia.

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E esta dependência tem um subproduto altamente indesejável: se perdermos o telefone ou se formos roubados não conseguiremos fazer mais nada, pois todos os nossos dados estão no aparelho. As agendas de telefone, aqueles pequenos cadernos onde fazíamos nossas anotações, desapareceram. Tudo está no telefone. Que por sua vez serve, lamentavelmente, para que recebamos uma infinidade de telemarketings ou inúmeras tentativas de golpes. Passamos, sobretudo os mais jovens, cada vez mais tempo nos celulares em detrimento de outras formas de lazer ou mecanismos de comunicação. Tudo passa a ser ordenado e priorizado pelos programas que nos são impostos, sejam eles bons ou maus, bem ou mal feitos, sem nenhuma responsabilidade ou culpa. A tirania da TI é tão agressiva que todas as suas deficiências são automaticamente transferidas para o usuário que é “burro” por definição.

Assim, cabe sempre perguntar: as tecnologias vieram para ajudar ou para atrapalhar as nossas vidas?(Foto: Deybson Mallony/Pexels)

FERNANDO LEME DO PRADO

É educador

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