AZUL

Maio, o mês do céu azul de maior brilho e clareza e mais digno de ser chamado celeste. Translúcido e cobrindo a atmosfera também azul do nosso infinito. Segundo Yuri Gagarin a Terra é azul e azul também é a explicação que se dá quando uma situação corre as mil maravilhas. Pra melhor. Tá tudo azul, tá tudo bem, tá tudo em paz porque é o mês dedicado ao grande amor da mãe de Jesus.

Mês dedicado a todas as Marias, sejam elas de qualquer lugar, de qualquer cor, de qualquer etnia, de qualquer religião, de qualquer entendimento com o que é ser mulher, mãe, professora, educadora, artista, funcionária pública, empregadora, empregada doméstica, mulher de sociedade, mulher da rua, trabalhadora de qualquer profissão. Menos a Maria sacrificada em situações de desrespeito e maus-tratos e as infelizes prejudicadas com a intolerância da ignorância masculina (na qual os homens são as ‘maria-vai-com-as-outras’) que as perseguem e as exterminam com o feminicídio.

Haverá de se mudar essa situação e dar um fim nessa necessidade de se repetir fatos só por falta de saber o que fazer da vida e continuar achando que a eliminação do problema é a mortandade descomedida, de mulheres de todas as idades simplesmente pelo fato de serem mulheres. Como se ser mulher fosse um pecado sem originalidade nenhuma e só por isso desmerecesse ser respeitado, tudo sempre a nível doméstico e aparentemente familiar.

Adorei as almas! Cumprimento respeitoso à linha dos pretos e pretas velhas que também são reverenciados durante todo mês de maio justamente por coincidir também com o 13 de maio, considerado o dia da Lei Áurea, a libertação da escravatura no Brasil. Os pretos e as pretas velhas já eram libertos bem antes de 1888, que coincide com a soma dos números em 25 e é reduzido ao 7. As sete linhas dos pretos e pretas que trabalham na Linha das Almas. Yorima é o orixá que conduz e condiz com a energia vibratória desse povo africano que é o Chefe da Umbanda no Brasil. Amor, humildade e sabedoria com a capacidade de fazer o bem e conduzir a vida de seus filhos na terra.

Sempre respeitando o Rosário da Virgem Maria e o colar das contas de Iemanjá, que é a mãe de Oxalá, sincretismo em Jesus. A presença feminina na condução dos trabalhos, na linha de Umbanda, onde forma uma trilogia. Iemanjá, Pretas Velhas e Pombogiro, o orixá feminino da esquerda que resolve os problemas de ordem material dos adeptos das religiões de matrizes africana. Protegem as noivas e auxiliam nas coisas do amor.

Grande coincidência nos nomes das pretas velhas, também chamadas de vovós, ‘vós’, mães. Uma grande parte delas é Maria, vovó Maria Conga, vovó Maria Redonda, vovó Maria de Angola. Algumas são chamadas de tia como a Maria da Mina e sem contar os nomes das Marias da linha dos baianos, que muitas vezes trabalham conjuntamente com a linha africana.

– Vovó não quer casca de coco no terreiro, pra não lembrar do tempo do cativeiro…

Detentores da magia universal, os pretos e as pretas velhas são os mais respeitados entre as entidades, pois são amáveis, humildes e sinceros. Mas, não pensem, que são bonzinhos. Aquelas risadinhas de canto de boca com ou sem cachimbo, escondem mistérios virtuosos.

– A bengala do Pai Joaquim bate devagar, mas pode doer. O rosário de Pai Joaquim tem mironga pra benzer…

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Iemanjá é uma entidade que o azul predomina, suas vestes se misturam com as águas e as ondas formam rosas e as espalha pelo mar junto com pérolas diversas. Invocamos neste momento o poder de Nossa Senhora dos Navegantes que por sua intercessão, encarecidamente elas nos ajude a vibrar positivamente pela situação do Sul do país. Adociaba mamãe!

De positivo temos a dizer que o bem sempre vence e os sinais já se traduzem em pequenas vitórias. Um caminho novo em direção a tolerância religiosa, quando uma mãe-de-santo, um padre católico e um pastor evangélico, entraram de braços dados para realizarem um culto ecumênico na Uninorte. Paz e bem ao universo. Amém, assim seja. Axé, saravá...

LUIZ ALBERTO CARLOS

Natural de Jundiaí, é poeta e escritor. Contribui literariamente aos jornais e revistas locais. Possui livros publicados e é participante habitual das antologias poéticas da cidade.

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