O ritmo da devastação da natureza brasileira assusta o mundo todo. Menos o Brasil. Convive-se com a “soltura da boiada”, com a flexibilização de toda a estrutura de tutela ambiental, incentiva-se a grilagem, acumplicia-se com os exploradores de minérios em terras indígenas e retrocede-se também de forma acelerada.
Por isso é que os mais lúcidos e sensíveis dentre os empresários sabem que falar em ESG e em sustentabilidade é muito pouco para a gravidade da situação. Não basta procurar se comportar de maneira responsável. É preciso debruçar-se sobre um tema sempre negligenciado: a regeneração do planeta.
Isso implica em reflorestar com vontade. O déficit de verde no Brasil é estupendo. Desde que os portugueses chegaram, há mais de 500 anos, derrubar árvores foi a ocupação mais frequente, só talvez superada há pouco pela litigância judicial.
Por óbvio, os últimos anos foram superlativos em devastação, em extermínio ecológico. Raras vezes se verificou, em nossa República, tamanha concertação de propósitos com vistas a acabar com o verde. Por isso é que agora se justifica um esforço homérico, única maneira de reverter o rumo ao caos, infelizmente muito mais próximo do que se esperava e mais ainda do que se desejaria.
A superfície brasileira de terras abandonadas, pois completo o ciclo exauriente, é imensa. Isso é admitido pelo próprio governo dendroclasta(indiferente à preservação). O plantio de árvores nativas naquelas áreas que primeiro tiveram sua cobertura vegetal eliminada, depois foram incendiadas, utilizadas para pasto e, finalmente, não servindo sequer para capim braquiária, são terras praticamente inservíveis.
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Para um ecossistema tão fragilizado, pouco interessa que pessoas e empresas comecem a se portar bem, ou seja, tenham preocupação com a sustentabilidade. É preciso muito mais. E a educação – que tanta falta faz ao Brasil, cuja população, infelizmente, é integrada por maioria de iletrados – será o instrumento da transformação. Cada criança tem de aprender na escola que precisa coletar sementes, aprender a plantar, cuidar das mudas, transplantá-las e também proteger as árvores restantes.
Sem essa conversão integral e consequente, o que se avizinha não será bom para a humanidade. Apesar da devastação, a Terra continuará a existir. Mas prescindirá, para isso, da malvada espécie humana.(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

JOSÉ RENATO NALINI
Desembargador aposentado, reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras.
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