JJ na Justiça do Trabalho: “Sem receber meus direitos, sensação de impunidade aumenta”, diz André

jj

Durante 22 anos, André Luiz Denigres trabalhou no Jornal de Jundiaí como contato de publicidade, atuando na área comercial da empresa, atendendo e vendendo anúncios para clientes, principalmente na área imobiliária. Hoje aos 57 anos, ele também buscou a Justiça do Trabalho para receber seus direitos trabalhistas, o que ainda não aconteceu. A existência de dois bens que poderiam pagar as dívidas trabalhistas é o que mais frustra André. Para ele, a pendência dá sensação de impunidade. O Jundiaí Agora entrevistou o ex-funcionário do JJ:

Depois de 22 anos, quando exatamente deixou o grupo de comunicação? Por que tomou essa decisão?

Em agosto de 2017. Resolvi sair devido ao crescimento das mídias digitais. O produto impresso, o jornal que ia as bancas, foi perdendo força. Com isso minha renda caiu consideravelmente. Foi o que me levou a pedir desligamento.

Quando deu entrada na ação trabalhista?

Um mês depois.

O que você pede? A justiça já deu ganho de causa para você?

Peço meus direitos trabalhistas de 22 anos de serviços prestados ao JJ. A Justiça Trabalhista já julgou procedente minha ação, estando há anos na fase de cumprimento de sentença. Assim como outros colegas que procuraram a Justiça do Trabalho, meu processo também está apensado à venda da antiga sede do jornal, na rua Baronesa do Japi, e ao imóvel onde está instalada a antena da Rádio Difusora, no bairro do Caxambu. Estes imóveis estão na ação como garantia de pagamento.

Os ex-funcionários do Grupo JJ de Comunicação localizaram dois bens dos empresários devedores. Estes imóveis – tanto a antiga sede da Baronesa como o terreno no Caxambu – poderiam ser vendidos para quitar as dívidas trabalhistas. Muitas ações nesta área acabam em nada justamente porque nenhum bem é encontrado. Como analisa isto?

Esta é a minha maior frustração: se a empresa tem bens que podem ser vendidos para a quitação das dívidas trabalhistas por que isso não acontece? Minha sensação é que infelizmente a justiça é muito lenta. O processo já está perto de completar 10 anos e isso tudo acaba criando uma sensação de impunidade muito grande…

Em 2024, a Justiça do Trabalho determinou o leilão do terreno da Rádio Difusora, no Caxambu. Pensou que a espera estava chegando ao fim?

Com certeza! Acreditava que enfim minha situação e dos meus colegas que vivem o mesmo drama seria resolvida. Porém, ninguém se interessou e a espera continua.

Você já se aposentou e ainda precisa trabalhar?

Não me aposentei ainda. Continuo trabalhando com representante comercial. Hoje trabalho com venda de equipamentos de aquecimento solar e geração de energia fotovoltaica.

Precisa de ajuda financeira de parentes?

Graças a Deus não preciso de ajuda de parentes, consigo me manter com meu trabalho.

“RUI: NÃO RECEBI O QUE É MEU E PRECISEI DA AJUDA DE PARENTES”

GERALDO DIAS NETTO: “MINHA DÍVIDA NÃO É PAGA MESMO COM DOIS IMÓVEIS LOCALIZADOS”

ODILIES MORO, 80 ANOS, PROCESSOU E TAMBÉM NÃO RECEBEU: “QUANTOS VÃO MORRER ESPERANDO”?

Como sua vida está sendo prejudicada pela demora no pagamento da ação?

Não diria que minha vida está sendo prejudicada. Mas poderia estar muito melhor se tivesse recebido meus direitos. Afinal, me dediquei por 22 anos e não recebi até agora o que é meu.

Os ex-trabalhadores da Vigorelli esperaram quase 30 anos para receber seus direitos. Muitos morreram e o dinheiro foi para suas famílias. Teme que isto possa ocorrer com as ações contra o JJ?

Sim, com certeza. Afinal já se passaram muitos anos. Estamos envelhecendo. Não sei quantos anos de vida me restam. Então, cada ano que passa aumenta esta sensação de que podemos ficar sem receber.

O que diria se pudesse falar com os juízes que cuidam das ações contra o Jornal de Jundiaí?

Pediria para que eles agilizassem este processo. A lei tem que ser executada. Não estamos querendo nada além dos nossos direitos.

VEJA TAMBÉM

PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA

ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES