JJ na Justiça do Trabalho: “Não recebi o que é meu e precisei da ajuda de parentes”, conta Rui

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No final da década passada, o repórter-fotográfico Rui Carlos da Silva, 56 anos, também buscou a Justiça para receber do Jornal de Jundiaí, o JJ, seus direitos trabalhistas. Até agora, assim como muitos e muitos outros ex-funcionários da empresa, ele não recebeu nada. Rui lembra as dificuldade pelas quais passou ao deixar o emprego sem dinheiro. “Até me adaptar à nova condição tive que buscar ajuda de familiares”, conta. A entrevista com ele:

Quanto tempo você trabalhou no JJ?

Trabalhei no Jornal de Jundiaí de 2002 a 2019. Foram 17 anos atuando no arquivo fotográfico e também como repórter-fotográfico.

Quando aconteceu sua saída do grupo de comunicação?

Saí no mês de abril de 2019 já que não estavam pagando o salário mensal. Também houve a quebra do contrato trabalhista. Deixaram de depositar meus direitos como FGTS, INSS…

O que você pede na ação? A justiça já deu ganho de causa para você?

Pedi o que me era devido, como salário, FGTS, INSS. Para não enrolar muito o processo, abri mão das horas extras. Ganhei a causa mas não me pagaram até hoje.

O terreno da Rádio Difusora, no Caxambu, foi a leilão há dois anos. Achou seria pago naquela ocasião?

No início pensei que isso pudesse ocorrer. Depois, analisando a quantidade de processos e os valores, cheguei à conclusão de que mesmo com a venda, o total arrecadado não seria suficiente para saldar as dívidas com todos os ex-funcionários.  

Muitas vezes, quem busca a Justiça do Trabalho não recebe porque não são encontrados bens dos devedores para venda. Não é o caso do Jornal de Jundiaí já que existem dois imóveis: o do Caxambu e a antiga sede do grupo, na rua Baronesa do Japi. Como analisa essa situação?

Esse é um ponto delicado. Podem existir dois imóveis pertencentes ao grupo JJ. Contudo, creio que a influência do grupo de comunicação na região afasta possíveis investidores. Eles devem se sentir receosos de entrar no leilão desses bens…

Você já se aposentou e ainda precisa trabalhar?

Ainda não me aposentei. Estou trabalhando…

Precisa de ajuda financeira de parentes?

Hoje, depois de muito esforço, não preciso mais. Quando deixei o JJ, até me adaptar à nova situação, tive de procurar a ajuda dos parentes. Atualmente, ‘vou indo’…

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Como sua vida está sendo prejudicada pela demora no pagamento da ação? Teme que este processo seja um novo caso Vigorelli, no qual os ex-trabalhadores esperaram quase 30 anos para receber seus direitos?

A minha vida e a da minha família foram prejudicadas em muitos aspectos. Eu estaria tranquilo se eu tivesse recebido o valor do processo que ganhei na Justiça do Trabalho. Não estaria contando com a sorte para que essa questão se resolva um dia. Sobre o paralelo com a Vigorelli, as coisas não deveriam ser assim. Mas, do jeito que estão caminhando a passos largos, acredito que “certos tratos e acordos com advogados” , conseguem manobras e brechas na lei brasileira. E com isso vão ‘anulando’ decisões judiciais e protelando o pagamento de quem trabalhou e precisa receber o que é seu.

Se pudesse falar francamente com os juízes que cuidam da sua ação, o que diria?

Olha, se eu pudesse ser sincero e falar com os juízes, diria para serem mais rígidos na execução das leis trabalhistas. O trabalhador se dedica às funções e horários impostos pelos empresários, que visam apenas o lucro. Por outro lado, o trabalhador, como mostram bem os casos dos ex-funcionários do JJ, têm que ficar esperando ano após ano por um direito que é deles.

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