A resposta que os ex-funcionários do JJ e JC receberam da Ouvidoria do TRT 15, órgão da Justiça do Trabalho, é burocrática e decepcionante: a culpa pela demora do pagamento das ações trabalhistas é do grande número de processos e falta de funcionários. Para quem trabalhou no Jornal de Jundiaí já se passaram 10 anos. Para os ex-trabalhadores do Jornal da Cidade, 21 anos. Uma década é muito tempo. O que dizer de duas décadas de espera, considerando-se que para a própria Justiça do Trabalho, ações trabalhistas são consideradas ‘verbas de natureza alimentar’? A ciência diz que o ser humano, dependendo de vários fatores, pode viver até 30 dias sem comer. Ao pé da letra, se as pessoas que movem essas ações dependessem exclusivamente do recebimento de suas ações para comer já estariam mortas e enterradas há muito tempo. O TRT respondeu ao Jundiaí Agora que não se manifesta sobre processos em andamento. Mas, que andamento é esse? A pergunta é: como o Tribunal Regional do Trabalho conta o tempo? Certamente, o tic-tac do relógio corre de forma diferente dentro dos gabinetes de juízes e desembargadores.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA ACIONA TRIBUNAL. EX-FUNCIONÁRIOS GANHAM MAIS APOIOS
A Importadora e Exportadora Francolite Ltda fechou as portas em 1984. Foi vítima da má administração e da crise econômica. Os ex-funcionários só conseguiram receber seus direitos em 2011. Por esse nome imponente, pouca gente sabe o que essa empresa representou para Jundiaí: a Vigorelli fabricava máquinas de costura e ficava na avenida Nove de Julho, onde hoje há um shopping. Quem trabalhou naquela que foi uma das indústrias mais importantes do país levou quase 30 anos para receber o que tinha direito. Ironicamente, muitos dos ex-funcionários do JJ e do JC acompanharam, por dever de ofício, a saga destas pessoas. Muitas delas morreram sem ver a cor do dinheiro. Jornalistas, contatos comerciais e outras categorias dos dois jornais processados têm essas lembranças vividas. E eles têm medo delas. Eles cobriram diariamente o drama de quem dedicou parte da vida à fábrica. As manchetes eram frequentes. Entrevistaram os ex-trabalhadores que venceram o tempo e receberam o que era devido. As histórias deles eram impressas quase que diariamente nas páginas dos dois diários. Também falaram com os herdeiros de quem não teve a mesma sorte. Hoje, quem trabalhou no Jornal de Jundiaí e no Jornal da Cidade vive a mesma situação humilhante e viraram notícia que já repercutiu em portais especializados e ganhou apoio de jornalistas conceituados.
O fato é que embora o tempo seja inflexível, também é relativo. O tempo corre para todos, corrói corpos e mentes. Mas também passa de forma diferente para cada um. O tempo de quem aguarda a solução da Justiça do Trabalho é diferente do tempo de quem julga as ações. Juízes e desembargadores têm seus salários e a tranquilidade de saber que seus futuros estão assegurados. E eles fizeram por merecer. Estudaram muito e foram aprovados em concursos. Com certeza, o tempo deles não é o mesmo da ex-gerente comercial do Jornal de Jundiaí, Odilies Moro(foto), hoje com 80 anos e sérios problemas de saúde. O tempo também não é o mesmo para outros ex-funcionários, que aguardam a solução de seus casos há mais anos do que efetivamente trabalharam nas empresas credoras e que têm imóveis indicados para venda ou leilão. Essas pessoas caminham em direção à velhice sem nenhuma expectativa de que suas dívidas serão quitadas.
CLIQUE AQUI E SAIBA TUDO SOBRE A MOBILIZAÇÃO DOS EX-FUNCIONÁRIOS DO JJ E DO JC
Por outro lado, o tempo passou de forma diferente para quem deve e não paga. O vereador Paulo Sérgio Martins, que apoia o grupo que luta na Justiça do Trabalho, resumiu bem a questão: “Vocês sofrem com a injustiça enquanto os empresários vivem de forma nababesca”. Embora as antigas sedes das empresas tenham sido abandonadas, o status e influência dos empresários continuam os mesmos.
Por mais inexorável que seja o tempo, os ex-funcionários também irão explorá-lo de todas as formas possíveis. Mesmo que se diga que a fila de ações é imensa para a quantidade de funcionários disponíveis na Justiça do Trabalho, continuarão aproveitando cada segundo para reivindicar o que é certo, o que é digno e humano.(Marco Antônio Sapia)
VEJA TAMBÉM
PUBLICIDADE LEGAL É NO JUNDIAÍ AGORA
ACESSE O FACEBOOK DO JUNDIAÍ AGORA: NOTÍCIAS, DIVERSÃO E PROMOÇÕES











