A eleição acabou. O que esperar da ECONOMIA brasileira?

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Com o resultado das urnas, projeções do FMI e do Banco Central apontam crescimento moderado, enquanto inflação, juros e contas públicas seguem entre os desafios de 2027. Mas o que isso significa para o seu bolso? A eleição terminou, a economia continua.

O Brasil acaba de passar por mais uma eleição presidencial marcada pela polarização. Para parte da população, o resultado representa esperança. Para outra, preocupação.

Mas, independentemente das preferências políticas, existe uma pergunta que interessa a todos: o que podemos esperar da economia brasileira nos próximos anos? A resposta exige menos torcida e mais atenção aos números.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia brasileira deve crescer 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027. A instituição também projeta que o Brasil alcance a posição de oitava maior economia do mundo em 2027, considerando o Produto Interno Bruto (PIB) nominal em dólares. Já o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em 26 de outubro, aponta expectativa de crescimento de 1,31% para 2027.

São projeções elaboradas com metodologias e premissas diferentes, mas que indicam um cenário de crescimento positivo, embora moderado. Também existem fundamentos econômicos que merecem ser reconhecidos.

André Esteves, chairman do BTG Pactual, avaliou recentemente que o Brasil reúne fundamentos econômicos mais organizados do que em diferentes momentos das últimas três décadas. Ele destacou a solidez do sistema financeiro e as reservas internacionais, mas alertou para o crescimento da dívida pública.

Essa avaliação ajuda a compreender que o país possui pontos de sustentação, mas também desafios relevantes. A eleição define quem governará. Não determina, sozinha, como a economia vai se comportar.

Inflação, juros e contas públicas: o que os números revelam? Para as famílias, crescimento econômico é importante. Mas existe um indicador que costuma ser sentido muito antes de qualquer estatística: o preço das coisas.

Segundo o Boletim Focus, a expectativa de inflação para 2027 está em 4,34%, acima da meta central de 3% estabelecida para o país, embora dentro do intervalo de tolerância.

Isso não significa que todos os produtos subirão exatamente 4,34%. Trata-se de uma estimativa para a variação média dos preços medida pelo IPCA.

E existe uma diferença fundamental: inflação menor não significa preços menores. Significa que os preços estão aumentando mais devagar. Os juros também continuarão influenciando o orçamento das famílias e as decisões das empresas.

O mercado projeta uma taxa Selic de 11,75% ao ano no encerramento de 2027. Embora represente uma expectativa de redução, ainda é um patamar que exige atenção de quem pretende financiar um imóvel, contratar crédito ou investir na expansão de um negócio.

Outro desafio está nas contas públicas. O crescimento da dívida do governo e a necessidade de equilibrar receitas e despesas influenciam as expectativas econômicas, o custo do financiamento e a confiança dos investidores.

Isso não significa que toda despesa pública seja negativa. Investimentos em infraestrutura, educação e serviços também podem contribuir para o desenvolvimento econômico.

O desafio está em conciliar crescimento, responsabilidade fiscal e resultados duradouros. Uma economia sólida não depende apenas de crescer. Depende também de criar condições para continuar crescendo.

O que realmente pode mudar no seu bolso? As decisões do governo e do Congresso terão influência sobre os próximos anos. Mas a economia brasileira também será afetada por fatores externos, como juros internacionais, comércio mundial, preços de energia e conflitos geopolíticos.

Para quem vive em Jundiaí e região, esses movimentos podem aparecer no custo do supermercado, nas condições de financiamento, nas oportunidades de emprego e nas decisões de investimento das empresas. Por isso, independentemente do resultado eleitoral, planejamento financeiro continua sendo uma necessidade.

Para as famílias, significa conhecer os compromissos assumidos, avaliar cuidadosamente novas dívidas e construir alguma margem para imprevistos. Para os empresários, significa acompanhar custos, fluxo de caixa e capacidade de investimento, sem tomar decisões baseadas exclusivamente em expectativas políticas. Não porque uma crise esteja garantida, mas porque o futuro econômico envolve oportunidades e riscos.

Há, inclusive, um cuidado importante na leitura das projeções: os números do Focus divulgados em 26 de outubro foram coletados antes do segundo turno presidencial. Portanto, representam expectativas anteriores ao resultado das urnas, não uma avaliação de seus efeitos. E talvez essa seja a principal reflexão deste momento.

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Projeções não são promessas. Riscos não são destinos inevitáveis – O Brasil não começa do zero depois de uma eleição. Carrega conquistas, problemas estruturais e decisões acumuladas ao longo de diferentes governos.

É legítimo ter expectativas positivas ou preocupações sobre o próximo mandato. Mas os resultados econômicos precisarão ser avaliados pelas políticas efetivamente adotadas e pelos seus efeitos ao longo do tempo.

Afinal, o Brasil pode estar entre as maiores economias do mundo e ainda enfrentar dificuldades para transformar essa dimensão em prosperidade para sua população.

Porque a eleição termina nas urnas. Mas o que realmente importa para as famílias é como a economia se traduz em emprego, poder de compra e qualidade de vida.(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

KAUÊ CARVALHO

É pós-graduado em Finanças Pessoais, especialista na Lei do Superendividamento do Brasil e cursa MBA em Inteligência Artificial para Gestão e Negócios. Atua há mais de seis anos ajudando pessoas físicas e jurídicas a reestruturarem suas vidas financeiras, com visão global e adaptada às diferentes realidades de contexto. @kauecarvalhoconsultor 

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