Vereadores se reuniram ontem(18), à noite, com cerca de 20 ex-funcionários do JJ e do JC, que movem ações trabalhistas contra os dois jornais há 10 e 21 anos, respectivamente. Familiares dos trabalhadores também participaram. Eles queriam conquistar o apoio dos parlamentares. E conseguiram. A reunião foi comandada por Paulo Sérgio Martins(PSDB) e contou também com a participação de Valério Freire Paiva, diretor do Sindicato dos Jornalistas de Campinas, e Gustavo Loschi, diretor de Assuntos Parlamentares da Prefeitura de Jundiaí. Várias estratégias foram traçadas para que os trabalhadores recebam seus direitos.

Martins informou que em fevereiro do ano passado protocolou projeto que proíbe órgãos públicos de Jundiaí de contratar empresas de comunicação com pendências financeiras, trabalhistas ou civis. Na época, a proposta recebeu parecer contrário da procuradoria jurídica da Câmara e também da Comissão de Justiça e Redação(CJR). Apesar das negativas, a proposta de número 14.579 ainda está tramitando e poderá ir à votação. A data não foi definida. Se for aprovada, o Executivo poderá ou não sancioná-la. No caso do veto, os vereadores poderão derrubá-lo. “O problema que vocês estão sofrendo pode envolver as esferas criminal, administrativa e, obviamente, a trabalhista. É certo que os órgãos públicos devem divulgar em jornais. Contudo, não tem cabimento que empresas recebam, não paguem vocês e os donos continuem vivendo de forma nababesca”, disse o vereador aos ex-funcionários.

O parlamentar lembrou que o projeto pode ser rejeitado já que cabe ao poder Executivo apresentar propostas deste tipo. “Não estou preocupado em ser o autor da lei. Estou preocupado que o texto entre em vigor. O que interessa é que empresas que tenham processos na Justiça do Trabalho não recebam de órgãos públicos até que quitem as dívidas. Loschi afirmou que o ideal seria criar um filtro para averiguar inclusive empresas terceirizadas.

Pelo Sindicato – A conversa, que estava marcada para a escadaria que dá acesso à recepção da Câmara Municipal, ocorreu no Plenarinho. O diretor do Sindicato dos Jornalistas receberá o nome dos autores dos processos e os números deles para análise do departamento jurídico da entidade. Ele também disse que será avaliada a possibilidade de contato com o Tribunal Regional do Trabalho(TRT-15), que fica em Campinas. Por último, Valério falou da necessidade de buscar outros órgãos de imprensa para divulgar o drama dos ex-funcionários. O vereador Henrique Parra Parra Filho(PSOL) chegou praticamente no meio da reunião. Ele também deu algumas sugestões e foi questionado sobre a possibilidade de os parlamentares enviarem requerimentos e moções à Justiça do Trabalho pedindo rapidez na solução dos casos. Já Mariana Janeiro(PT), Dika Xique Xique(Podemos) e Kachan Jr(Rep) só conseguiram deixar a sessão no final do encontro(foto acima). Mesmo assim, fizeram questão de apoiar o grupo.
A movimentação está ganhando repercussão nacional. O renomado jornalista e radialista Heródoto Barbeiro postou em suas redes sociais uma das entrevistas com ex-funcionários publicadas no Jundiaí Agora(clique aqui para ver). Todos os 19 vereadores têm conhecimento das dificuldades vividas por aqueles que trabalharam no JJ e JC e não receberam seus direitos. O JA publicou os depoimentos dos ex-funcionários e, além de postar nas redes sociais, encaminhou as entrevistas para o WhatsApp de todos parlamentares e alguns assessores. Cinco deles tiveram consideração com os profissionais que ajudaram a registrar a história de Jundiaí. Os outros 14 deram com os ombros para o grupo.
VEJA, NA ÍNTEGRA, OS DEPOIMENTOS DOS EX-FUNCIONÁRIOS DO JORNAL DE JUNDIAÍ E DO JORNAL DA CIDADE:
“PERDI UM APARTAMENTO E DEIXEI DE TRATAR A SAÚDE”, RELEMBRA ISABEL, EX-EDITORA DO JORNAL DE JUNDIAÍ
JJ: “SEM RECEBER MEUS DIREITOS, SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE AUMENTA”, DIZ ANDRÉ
JJ: “NÃO RECEBI O QUE É MEU E PRECISEI DE AJUDA DOS PARENTES”, CONTA RUI
GERALDO DIAS NETTO: “MINHA DÍVIDA NÃO É PAGA MESMO COM DOIS IMÓVEIS LOCALIZADOS”
ODILIES MORO, 80 ANOS, PROCESSOU E TAMBÉM NÃO RECEBEU: “QUANTOS VÃO MORRER ESPERANDO”?
JORNAL DA CIDADE: LUTA NA JUSTIÇA DO TRABALHO JÁ DURA 21 ANOS
ANTIGA SEDE DO JJ ESTÁ A VENDA POR R$ 4,2 MILHÕES
MARCA DO JORNAL DE JUNDIAÍ CHEGOU A SER LEILOADA
JUSTIÇA DO TRABALHO TENTOU VENDER TERRENO DA DIFUSORA
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