A jornalista Isabel Cristina Bueno, 54, recentemente sofreu um grave acidente e ainda convive com as sequelas. A isso soma-se a agonia da espera por uma decisão judicial para a ação que moveu contra o Jornal de Jundiaí. No caso dela, até se chegou a um acordo que não foi cumprido pelos donos do JJ. Neste meio tempo ela perdeu um apartamento por não ter condições de pagar o financiamento. Também deixou de tratar da própria saúde e não consegue ajudar a irmã que necessita de cuidados especiais. A situação só não é pior porque ambas moram na casa herdada da mãe. O Jundiaí Agora entrevistou Isabel:
Quanto tempo trabalhou no Grupo JJ? Quais funções ocupou?
Mais de 25 anos. Comecei como repórter de economia, depois passei para cultura, onde fui editora por quase 20 anos. Mais tarde assumi como editora de economia, depois cidades e suplementos. Também participei da migração do jornal impresso para o on-line.
Quando e por que deixou o grupo de comunicação?
Saí em 2018, após meses de salários atrasados e pagamentos incompletos. Acreditei nas promessas dos proprietários de que iriam quitar os débitos, mas isso nunca aconteceu. Foi doloroso deixar para trás tantos anos de dedicação sem o reconhecimento merecido.
Quando deu entrada na ação trabalhista?
Em 2019, depois que a empresa não cumpriu o acordo de rescisão. Aceitei um parcelamento injusto, muito abaixo do meu salário, por respeito ao jornal e à minha trajetória. Mas nem esse acordo foi honrado.
O que você pede?
Peço apenas o que é meu direito: FGTS e salários atrasados. A Justiça já deu decisão favorável à minha causa, mas eu ainda não recebi nada. Nem mesmo medidas previstas em lei, como a apreensão dos passaportes dos proprietários, foram consideradas.
A grande maioria das ações trabalhistas não prosperam por não serem encontrados bens dos devedores para venda. No caso do Grupo JJ existem dois. Como vê esta situação?
Acho muita injustiça. E fico estarrecida pela Justiça do nosso país permitir isso, porque está errado. Os empresários precisam assumir suas dívidas, precisam assumir e responsabilidades. Não é aceitável que trabalhadores e fornecedores fiquem sem receber enquanto os empresários continuam desfrutando de regalias. Isso não é justiça, é um retrato da desigualdade que corrói nosso país.
Seu processo está ‘apensado’ à venda da antiga sede da Baronesa?
Não.
Em 2024 houve movimentação para leiloar o terreno da Rádio Difusora, no Caxambu. Naquele momento, acreditou que a espera estava chegando ao fim?
Sim, naquele momento senti esperança de que, finalmente, a Justiça seria feita.
Você já se aposentou e ainda precisa trabalhar?
Solicitei a aposentadoria, mas ainda não saiu. Por isso continuo trabalhando para me sustentar.
Precisa de ajuda financeira de parentes?
Moro com minha irmã e dividimos as despesas. Só conseguimos nos manter porque herdamos uma casa. Sem esse imóvel, seria impossível.
Como sua vida está sendo prejudicada pela demora no pagamento da ação?
Perdi um apartamento por não conseguir pagar o financiamento. Hoje vivo na casa herdada com minha irmã. Também deixei de fazer tratamentos de saúde, como pilates e fisioterapia. Não consigo ajudar minha irmã, que também precisa de cuidados especiais. A demora da Justiça não afeta apenas números em um processo, mas vidas reais.
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Teme que este processo seja um novo caso Vigorelli, no qual os ex-trabalhadores esperaram quase 30 anos para receber seus direitos?
Sim. Já se passaram sete anos sem avanço. É desanimador ver a Justiça do Trabalho não apoiar os trabalhadores. Eu sempre acreditei na Justiça. Sempre confiei que quando o juiz abrisse o meu processo e lesse ele faria o que é correto e justo, mas a cada dia que passa essa minha esperança diminui mais e mais.
Se pudesse falar francamente com os juízes que cuidam da sua ação, o que diria?
Que olhem com atenção para esses processos. Estamos pedindo apenas o que conquistamos com esforço e dedicação. Não é justo que nossa vida seja prejudicada enquanto os proprietários seguem vivendo tranquilamente e cercados de luxo.
O Jornal Jundiaí Agora entrou em contato com a assessoria de comunicação do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região(TRT-15). A resposta sobre a situação dos ex-funcionários do JJ que buscaram a Justiça e até agora não receberam seus direitos foi a seguinte: “O TRT-15 não se pronuncia sobre processos judiciais em andamento”.
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