JJ quer fazer acordo com ex-funcionários: “Mas não tem dinheiro”

JJ

Jornalistas que atuaram no JJ(Jornal de Jundiaí) reuniram-se virtualmente, na última quinta-feira(29), com representantes do sindicato da categoria. Depois de mais de dois meses, eles ficaram sabendo a ‘proposta’ que os proprietários do grupo de comunicação têm em mente. “Eles disseram que querem fazer acordo. Contudo, não têm dinheiro para pagar”, explicou José Eduardo de Souza, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Márcia Quintanilha, diretora do sindicato em Campinas também participou da reunião. Diante da possibilidade de pagamentos a longo prazo através de parcelas irrisórias e o eventual não cumprimento do acordo – o que é comum tratando-se do JJ – os jornalistas recusaram qualquer diálogo com os empresários. As ações trabalhistas deles já têm 10 anos.

A informação de que os donos do JJ queriam negociar surgiu logo após a reunião dos ex-funcionários do JJ e JC(Jornal da Cidade) com vereadores, na Câmara Municipal de Jundiaí, no início de agosto último. Na ocasião, o vereador Paulo Sérgio Martins, que organizou o encontro, disse que “os ex-funcionários do JJ e JC sofrem com a injustiça enquanto os empresários têm vidas nababescas”(leia explicação abaixo). Dias depois, o Sindicato dos Jornalistas recebeu telefonema de uma pessoa que dizia ser do jornal. Depois, José Eduardo falou com um dos donos que afirmou estar disposto a conversar. O sindicalista então foi informado que o JJ não tem dinheiro para quitar as dívidas mas está disposto a conversar com os ex-funcionários. O problema é que a empresa tem o hábito de fechar acordos que levam anos para ser quitados. Muitos deles não são honrados. Isto aconteceu, por exemplo, com a jornalista Isabel Bueno que passa por sérios problemas de saúde. Com dívidas, ela perdeu um apartamento e precisa do dinheiro com urgência. “Eu já fechei acordo, recebi algumas parcelas e depois pararam de pagar. Eu quero receber tudo o que eles me devem”, enfatizou. Os outros jornalistas que participaram da reunião virtual concordaram com ela.

Imóveis – O diretor-geral do Sindicato dos Jornalista disse que também tratou com o empresário sobre os dois imóveis que poderiam ser usados na quitação das dívidas trabalhistas: a antiga sede da empresa, na rua Baronesa do Japi, no centro da cidade, e o terreno onde fica a antena da Rádio Difusora, no Caxambu. Ele foi informado que o primeiro imóvel está em inventário. O segundo seria usado para pagamento de dívida com um banco. No ano passado, a Justiça Trabalhista tentou leiloar o terreno da rádio duas vezes, sem sucesso. Corretores da cidade afirmam que o valor determinado pela Justiça seria muito alto para um imóvel localizado em área de proteção ambiental. Esta seria a explicação para a falta de interesse nos leilões.

A expressão ‘vida nababesca’, dita pelo vereador Paulo Sérgio Martins aos ex-funcionários do JJ e JC, é usada para descrever uma vida de grande luxo, riqueza, conforto excessivo, ostentação e regalias. Quem leva esse estilo de vida desfruta de do bom e do melhor, sem preocupações com gastos, cercado de comodidades e requinte. A palavra nababo (que dá origem a “nababesca”) era o título dado aos governadores de províncias ou príncipes ricos do Império Mogol, na Índia. Com o tempo, os britânicos que colonizaram a Índia passaram a usar o termo para descrever os europeus que enriqueciam rapidamente por lá e voltavam para a Europa vivendo com extremo luxo, fausto e extravagância.

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